• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Titans 14x40 Packers: No melhor jogo da temporada, uma equipe que permite ao torcedor sonhar alto.



Uma noite de SnowBowl para encher de moral, confiança e empolgação os torcedores de Green Bay.


Os Packers só não desfilaram num tapete vermelho pois o tapete ontem era branco, de tanta neve que caiu sobre Lambeau Field. A temperatura negativa só serviu para ver uma equipe altamente quente em campo, que não tomou conhecimento do Tennessee Titans e venceu por 40-14.


O cenário que se pintava era de de uma partida extremamente difícil, primeiro por enfrentar uma das melhores equipes da AFC e que esteve na última final de conferência. Segundo, por este ser um elenco já pronto e muito entrosado. E terceiro, por contarem com um running back excelente, forte e talentoso como Derrick Henry, que expõe defesas adversárias de forma impiedosa.


Conhecendo a defesa instável de Green Bay, era natural a torcida ficar bastante preocupada com o ataque terrestre adversário.


Por outro lado, havia o otimismo com o ataque liderado por Aaron Rodgers, vez que do outro lado havia uma das piores defesas da liga em jardas cedidas.


Em suma, a expectativa era de um jogo de muitos pontos e ataques se sobressaindo. E realmente foi. Mas só de um lado. E, para nossa sorte, do lado green and gold.


Os Packers, como de costume, começaram o confronto a todo vapor, abrindo 19-0 com extrema facilidade, impondo seu ritmo com um ataque aéreo soberano e um jogo terrestre agressivo e eficiente. Rodgers e Adams brincavam de jogar futebol americano, e o 17 já havia anotado dois touchdowns. O outro TD do primeiro tempo ficou para Equanimeous St.Brown, seu primeiro com a camisa de Green Bay, após enfrentar diversas lesões.


E a equipe de Matt LaFleur poderia ter ido para o intervalo com uma vantagem de 22 pontos, não fosse uma tentativa de quarta descida frustrada.


Nos últimos minutos do segundo quarto, houve uma pequena queda de rendimento, que permitiu aos Titans a marcação de um touchdown. Nesse momento, aquele velho filme passava na cabeça dos torcedores cheeseheads. O que seria da equipe no segundo tempo, após um primeiro período tão dominante?


Felizmente, contrariando a lógica recente, o segundo tempo conseguiu ser melhor que o primeiro, tanto em produtividade como em desempenho. Os Packers anotaram mais 21 pontos, com dois touchdowns do calouro AJ Dillon, que dominou o backfield e viveu uma noite de gala, e outro de Davante Adams, que se consolida como fortíssimo candidato a OPOY.


Não bastasse isso, se ainda havia alguma dúvida quanto com quem ficaria o prêmio de MVP da temporada, essa dúvida foi dissipada. Aaron Rodgers premiou os fãs de NFL com mais uma noite soberba, passando para 4 touchdowns e acumulando mais de 230 jardas totais, e nem a interceptação sofrida minimiza a grandeza de sua partida.


De fato, é um privilégio assistir tamanha sintonia entre Rodgers e Adams, com belos passes e gigantescas recepções. Isso afirma, de fato, que Green Bay ostenta o melhor ataque da liga, embora isso não seja o bastante.

Se por um lado, o ataque foi altamente produtivo o jogo todo, a defesa não ficou atrás, tendo uma atuação fora da curva e engoliu toda e qualquer tentativa ofensiva de Tennessee, com aquela agressividade e concentração há tempos cobrados.


Além disso, após ser tão criticado pela indisciplina, o sistema defensivo não cometeu sequer uma falta na partida de ontem, o que denota clara evolução, principalmente do confronto contra Carolina para cá.


Com direito a dois sacks e duas interceptações, os comandados de Mike Pettine incomodaram Ryan Tannehill, que teve pouca liberdade para executar seus passes, tendo que correr sozinho para anotar mais seis pontos no placar e, acima de tudo, limitou ao máximo as tentativas de Derrick Henry, que terminou a partida com apenas 98 jardas e nenhum touchdown. E esses foram os pontos chave da vitória.


Vitória essa que passou por muitos personagens além dos já citados, casos de Christian Kirksey, Preston Smith, Darnell Savage, Jaire Alexander, Krys Barnes e a linha ofensiva como um todo. Mas o bom desempenho de cada um fez um grupo forte prevalecer.


Quando o coletivo vai bem, o individual se sobressai, e vice-versa. Green Bay deu uma aula de superioridade, disposição e qualidade na noite passada. Algo que se pedia desde o início da temporada. Foram diversas vitórias sem aquele sabor de convencimento. Mas ontem foi incontestável.


Sabemos que é só um jogo, mas representa muito. Porque mais que o resultado, o confronto contra os Titans representava um termômetro ou um divisor de águas, a ponto de se saber o que realmente os Packers queriam na temporada. Mais importante que vencer era fazer por merecer a vitória e ter um desempenho a altura de quem quer chegar longe. E isso foi visto.


Mesmo quando os resultados não agradavam, nada estava perdido. Não será agora, após um triunfo tão importante, que tudo estará ganho. Qualquer favoritismo deve ser rechaçado por enquanto.


A campanha segue brilhante nos números. 12-3 na divisão, seed 1 próxima de ser garantida. Basta vencer Chicago que o time garante a folga na primeira rodada dos playoffs e de quebra elimina o rival de qualquer chance de pós temporada. Um ótimo confronto para quem ama derrotar os Bears, não é mesmo Aaron Rodgers?


É preciso manter essa regularidade. Ainda é cedo. Mas que enche de esperança jogadores e torcedores, enche. Uma atuação como essa leva Superbowl.


Os Packers encerram sua participação na temporada regular no próximo domingo, dia 03/01, às 18:25, no Soldier Field, contra o Chicago Bears.


#GoPackGo