RFA: 1X1 Battle - O Futebol Americano no Brasil

No último sábado (5), aconteceu a primeira edição do RFA 1X1 Battle em São Paulo. O campeonato de futebol americano idealizado por Patrick Dutton, fundador da Rio Football Academy, ocorreu também na cidade do Rio de Janeiro antes de chegar à capital paulista.


Foto: Caio Souza (@caiosouzafotos)

Contando com vários atletas inscritos, as rotas aconteciam para apenas três de cada vez, sendo um quarterback, um wide receiver e um defensive back, onde o QB precisava lançar para o WR enquanto o DB marcava, com critérios de pontuação baseados em bolas foras de disputa, passes completos, drops e interceptações.





Patrick conta que o surgimento do campeonato se deu devido aos acontecimentos desse ano, onde eles notaram que muitos atletas gostariam de disputar algo ainda em 2020. Ele também diz que não existe um campeonato assim, que há algo semelhante nos Estados Unidos, mas que é apenas para os atletas se mostrarem para os olheiros e treinadores: “geralmente os atletas do high school e da faculdade entram no mano a mano para poder mostrar técnicas e o quanto são bons, mas não existe uma métrica, um resultado, então tivemos que criar todo um regulamento.”


A Rio Football Academy é pioneira no assunto, fundada em 2014, foi a primeira academia de futebol americano no país. Começaram com cursos online para atletas de todo Brasil e atualmente realizam training camps, consultorias da parte técnica, inovando muita coisa no futebol americano no Brasil. A conta no Instagram mostra a influência que eles têm, mas não é para menos, o conteúdo é acessível e distribuído para todo o país, mesmo não sendo do Rio de Janeiro quem tem interesse consegue aprender com eles através da rede social.


Foto: Caio Souza (@caiosouzafotos)

Não faltaram elogios dos atletas para o campeonato e para toda organização, assim como a equipe da RFA se mostrou muito contente com a troca que tiveram com os jogadores, Patrick diz que “foi incrível a troca com a galera, todos estavam em uma vibe muito boa e conseguimos manter isso do início ao fim em São Paulo, eu saí muito realizado do evento.”




Foto: VTVC Filmes

O evento em São Paulo contou com ótimos atletas, mas tivemos os três principais destaques, sendo eles o QB Lucas, o WR Fabrizio e o DB Jam.


Lucas (QB) e Patrick Dutton (RFA). Foto: VTVC Filmes

Lucas (AB) joga desde 2014, mas sua trajetória começou longe daqui, aos 15 anos no high school. Quando voltou para o Brasil, treinou na RFA e depois voltou para ser titular no seu último ano do high school, jogou em Washburn, faculdade da segunda divisão da NCAA e ficou lá até o final de 2019, atualmente joga pela IWU. Apesar de não estar mais com o foco no Brasil, ele diz que a expectativa é que o nível do futebol americano aumente bastante no nosso país, devido ao fato de que os novos atletas têm começado a treinar cada vez mais cedo e possuem um suporte muito maior e melhor, como os projetos da Rio Football Academy que auxiliam no desenvolvimento.


Fabrizio (WR) e Patrick Dutton (RFA). Foto: VTVC Filmes

Fabrizio Nanni, joga desde 2016, começou no interior de São Paulo, no Atibaia Super Chargers e atualmente está no Palmeiras Locomotives. Conheceu a RFA pelo Patrick, através das redes sociais. No ano passado, participou de um treino para wide receivers oferecido pela RFA e conta que isso abriu muito sua mente, deu novas perspectivas como atleta. O WR diz que a organização do campeonato e como ele funcionou era tudo que no geral estavam esperando: “o campeonato em si foi muito bom, ninguém tem do que reclamar, com certeza estava faltando um evento como esse no Brasil”. Assim como o QB Lucas, Fabrizio também espera que o esporte aqui se popularize cada vez mais, a tendência é que um público mais jovem desenvolva interesse pelo futebol americano e ingresse no esporte cada vez mais cedo, o WR explica que o fato de já existir um campeonato nacional e times de todas as regiões do país também contribui muito.


Jam (DB) e Patrick Dutton. Foto: VTVC Filmes

Jam Silva, atleta também do Palmeiras Locomotives, está no esporte há três anos. Além de jogar, ele também treina o setor de DBs do time. Jam conta que conheceu a RFA através do Patrick, e destaca como ele e o programa de futebol americano contribuem para o atleta brasileiro: "ajudam bastante quem está começando no esporte, quem quer saber sobre técnicas e como funciona, também vemos que a RFA dá muitas oportunidades para o atleta, principalmente para quem quer crescer e ter alguma chance de ir para fora do país, é muito gratificante ter uma instituição assim no Brasil".


O atleta fala também sobre a organização impecável do campeonato e como os jogadores que participaram eram de alto nível, para ele, participar de um evento como esse com tantos receivers, DBs e quarterbacks bons foi uma ótima oportunidade de por em prática tudo que ele vinha aprendendo. Ele conta que apesar da pandemia, não parou de treinar, arrumou um lugar com todos os protocolos de segurança para poder continuar, mesmo que treinasse sozinho. O campeonato foi uma forma perfeita de finalizar o ano, colocando em prática tudo que aprendeu. Jam brinca dizendo que ficou surpreso com o resultado: "saber que ganhei me surpreendeu bastante, porque os DBs que participaram eram muito bons, de alto nível, mas a vitoria foi muito importante pra entender que meus treinos e dedicação não foram em vão".


Ele diz ter muita expectativa pro futebol americano no país já que o esporte vem crescendo bastante, contamos com atletas de muita qualidade, programas como os da RFA e da Brasil FA e na internet, redes sociais e YouTube com muito conteúdo sobre o esporte. "Daqui uns dois ou três anos espero que possamos ver o esporte maior, com mais atletas, mais times, campeonatos com destaque e principalmente mais patrocínios, não é nada fácil para se manter no esporte, esperamos que pelo menos alguns times conquistem espaços fixos para jogar, como estádios, que a torcida seja maior e o esporte mais bem visto. Eu quero fazer parte disso tudo, talvez não mais como jogador, mas pode ser dando treino ou até mesmo levando água para os atletas".


Patrick afirma que esse foi só um evento piloto, mas que a ideia é torná-lo um evento anual e expandir para outras localidades, atualmente Curitiba e o Nordeste estão nos planos iniciais. Além da expansão, também pensam em levar a competição para outras posições, com atletas de linha ofensiva e defensiva.


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