• Rodrigo Motoyama

Protestos incentivam adiamentos. BLM e MLB se cruzam novamente.

Protestos do movimento Vidas Pretas Importam (Black Lives Matter - BLM) se intensificam nos Estados Unidos após Jacob Blake, um homem negro, ser vítima de violência policial - levando 7 tiros nas costas - pela polícia de Kenosha, no estado de Wisconsin, nesse domingo (23).


E qual a relevância disso em uma página de esportes americanos?


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Após o time do Milwaukee Bucks decidir por não jogar a partida dos playoffs da NBA contra o Orlando Magics em solidariedade aos protestos do movimento BLM, três confrontos da MLB foram adiados por decisão dos jogadores. Tudo começa com a decisão do Milwaukee Brewers - time do estado onde ocorreu o assassinato - de se abster da partida contra o Cincinnati Reds. Os outros dois jogos cancelados foram do Los Angeles Dodgers contra o San Francisco Giants, e Seattle Mariners contra o San Diego Padres. Além desses confrontos, individualmente alguns jogadores, como Jason Heyward e Dexter Fowler, optaram por não participar das partidas de seus respectivos times.


Com esses ocorridos, diversos times, jogadores e jornalistas fizeram diversas declarações em suas respectivas contas no twitter. Algumas reportagens e citações novas, outras nem tanto, mas todas necessárias.


Um vídeo foi publicado na conta oficial do time de Milwaukee no twitter, onde a estrela do time, Cristian Yellich, diz o seguinte, em tradução livre:

"Você não pode só usar essas camisetas e pensar que está tudo bem e quando chega a hora de agir, se impor ou fazer uma declaração... você não pode não fazer"


Essa fala do Yellich me remete ao opening day desse ano de 2020. Eu estava animado com o começo da temporada em meio a tanto caos, e uma coisa me chamou muita a atenção nesses primeiros jogos. Jogadores segurando uma faixa preta, e alguns, se não todos, ajoelhando durante o hino nacional dos Estados Unidos, além do logo da MLB no montinho acompanhado das letras 'BLM'. Tudo em suporte ao movimento BLM. Tudo parecia muito bonito, mas não um gesto bonito, bonito de elegante e artístico. Lembro de começar a sentir um certo esvaziamento de sentido, e despolitização de alguns gestos. Como por exemplo, jogadores ajoelhados nos dois joelhos ao invés de um, e Kyle Schwarber com uma camiseta com o escrito "Black Lives Matter" e um boné do Departamento de Polícia de Chicago.



Beisebol é e será ainda por muito tempo um esporte segregatório. É um esporte de elite, caro e de difícil acesso. Enquanto a MLB não tomar consciência do seu papel nessa estrutura, não há uma quantidade de camisetas, logos acompanhados de BLM, e declarações que farão diferença. Esportes são entretenimento sim, mas mais do que isso, influenciam diversas pessoas e não podem fugir da (des)politização de seus atos.


Termino esse breve artigo com uma citação do Sean Doolittle e algumas referências que me ajudaram na construção de ideias, e recomendo como leitura para todos que, assim como eu, gostam de beisebol.


"Sports are like a reward for a functioning society."

- Doolittle, Sean


"Esportes são uma recompensa para uma sociedade funcional" (Tradução livre)


Referências:

https://www.baseballprospectus.com/news/article/60397/black-lives-matter-protests-activism-mlb/


https://www.golfdigest.com/story/sean-doolittle-said-it-all--sports-are-a-reward-for-a-functionin


Imagem 1 - https://twitter.com/MLB/status/1298802835774205953

Imagem 2 - https://www.marketwatch.com/story/showing-support-for-black-lives-matter-mlb-teams-kneel-before-the-seasons-opening-game-2020-07-24

Imagem 3 - https://www.baseballprospectus.com/news/article/60397/black-lives-matter-protests-activism-mlb/