• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Previsões para a temporada regular da NFL: Barbadas e surpresas. Parte 2: NFC


E aí galera da bola oval! Estou de volta com as previsões para a temporada da regular da NFL, em uma semana recomeça! Fé, que logo logo ela chega.


E hoje irei abordar as divisões da NFC, destacar as equipes e traçar alguns palpites prováveis e outros que podem surpreender. Vamos nessa:


NFC Leste: Uma divisão com muitas histórias e conquistas, mas nos últimos anos com um desempenho sofrível de seus participantes. Após uma temporada pífia, sem conseguir chegar sequer aos playoffs e tendo demitido o técnico Jason Garrett, o Dallas Cowboys surge como um provável bicho papão do torneio, após a chegada do renomado técnico Mike McCarthy, com uma ótima offseason no quesito adições ao elenco e um draft também de respeito. O elenco que já era forte, ficou ainda melhor. Olho em Cee Dee Lamb! Hora de Dak Prescott decolar e se provar para ganhar um novo contrato milionário, mesmo jogando sob a franchise tag. Vejo os blue stars levando a divisão com relativa folga.


O Philadephia Eagles parece uma máquina de problemas, e tudo isso no quesito lesões. Carson Wentz sofre para ficar saudável, o recém draftado WR Jalen Reagor ficará fora da primeira semana, e outros atletas ainda seguem em recuperação. Vale lembrar que praticamente sem recebedores e com Colt McCoy como quarterback ao fim da última temporada regular, as águias chegaram aos playoffs, mesmo com uma campanha bem ruim. Ainda assim, poderá, aos trancos e barrancos, buscar uma vaga no wildcard.


Pelos lados de New York, os Giants enfim tiveram uma atuação na free agency e no draft digna de aplausos, após bobagens consecutivas do GM Dave Gettleman. Após anos difíceis com Pat Shurmur, embora não creio que a maior parcela de culpa tenha sido dele, chegou Joe Judge, referendado por ter trabalhado durante um bom tempo comandando os special teams de Bill Belichick nos Patriots. A equipe realmente preencheu suas principais lacunas, fortalecendo um pouco mais sua defesa e linha ofensiva, tudo visando dar mais tranquilidade para Daniel Jones desenvolver seu jogo. Mais uma vez, o jogo ofensivo passará por Barkley, muito embora a franquia tenha recebedores de considerável qualidade, como Sterling Shepard, Darius Slayton e Golden Tate. A chegada do CB Logan Ryan deve dar uma estabilizada numa secundária problemática. Apesar disso, ainda que vislumbrando um número de vitórias maior do que na temporada anterior, o Big Blue esbarrará em algumas atuações instáveis de seu quarterback e sonolentas de seu pass rush que pressiona muito pouco o QB adversário, o que impedirá sonhos mais altos.


O Washington, ex-Redskins, e agora Football Team, vem passando por mudanças profundas em sua estrutura, após a exposição de casos escandalosos de cunho sexual praticados por gestores da franquia. Recomeçar era inevitável, e nessa toada alterou-se o nome, a logo, o comando técnico, com a chegada com ex-Panthers, Ron Rivera, mas o elenco em si sofreu poucas trocas substanciais. Uma equipe que tem problemas em praticamente todas as suas unidades, vai precisar de tempo para se reerguer. Problemão para Dwayne Haskins, que tem talento, mas tem poucas peças para ajudá-lo. A nota positiva é o retorno inesperado do quarterback Alex Smith, após quebrar sua perna e enfrentar complicações infecciosas que quase resultaram em amputação.


NFC Norte: O atual campeão dessa divisão, Green Bay Packers, aposta na base que surpreendeu positivamente na última temporada e que levou a franquia à final de conferência. Após uma atuação tímida na free agency, apenas preenchendo lacunas deixadas por Blake Martinez (veio Christian Kirksey) e Brian Bulaga (veio Rick Wagner), o draft realizado pela equipe de Wisconsin foi digna de protestos da torcida. Recheada de nomes desconhecidos, sem destinar uma pick sequer à maior necessidade do time, qual seja, recebedores, e trazendo em sua primeira escolha o quarterback Jordan Love, sem dúvida, para muitos, a bomba relógio estava instalada em Lambeau Field. Porém, na prática, os calouros tem mostrado talento e se adequam à ideia de jogo que Matt LaFleur pretende: intensidade no jogo corrido, pass rush forte, linha ofensiva jovem e uso maior dos tight ends. Em suma, prevejo novamente uma briga ferrenha pelo título da divisão entre os Cheeseheads e o Minnesota Vikings.


Por falar em Vikings, há de se ressaltar que o mesmo se reforçou muito bem, mesmo após a saída de Steffon Diggs para os Bills. Chegou via draft o excelente Justin Jefferson para pleitear uma titularidade junto a Adam Thielen. O ataque também seguirá muito bem conduzido por Dalvin Cook, que entre uma greve e outra, deve permanecer por lá. A defesa, não bastasse ser umas melhores da liga, ainda ganhou a importante adição de Yannick Ngakoue, vindo dos Jaguars. Diante desse equilíbrio e qualidade em ambos os setores, difícil não apostar que a equipe apareça novamente nos playoffs. A oscilação de Kirk Cousins pode pesar contra.


Quem não deve pleitear uma vaga na pós-temporada é o Chicago Bears. Primeiro, por ter um quarterback extremamente limitado e contestado. Mitchell Trubisky terá dessa vez a sombra de Nick Foles, que chega com a credencial de ter levantado um superbowl pelos Eagles, mas este, por sua vez, foi muito mal em 2019 atuando pelos Jaguars, perdendo espaço por seguidas lesões. Por isso, chega em baixa. Dessa forma, a briga pela titularidade seguirá em aberto até o kickoff. Não bastasse isso, as adições ao elenco foram bem aquém daquelas que a torcida esperava, bem como as peças que chegaram via draft. Um desnecessário excesso de tight ends e poucas peças para gerar um fato novo nesse já manjado ataque dos ursos, vai complicar bem a situação de Matt Nagy. A defesa segue sendo uma das melhores da NFL, apesar de mostrar uma grande queda na temporada passada, e isso pode ser o diferencial para se buscar algumas vitórias quando o ataque não render o que se espera.


Quem pode dificultar a vida de certas equipes é o Detroit Lions. O time destinou muito bem suas contratações, suprindo necessidades gritantes, principalmente defensivas, e dará mais armas para Matt Patricia, que segue muito criticado e pode, em caso de campanha novamente ruim, pode pegar o boné. Corrigindo os buracos na "casinha", o ataque se garante com os ótimos Matthew Stafford, Kenny Golladay e Marvin Jones, além do RB calouro DeAndre Swift, que pode aparecer muito bem dividindo o backfield com Kerryon Johnson.



NFC Oeste: Tudo leva a crer que a divisão ficará mais uma vez no colo do San Francisco 49ers. Com uma equipe muito bem treinada por Kyle Shanahan e que teve o último superbowl em suas mãos por alguns momentos, os descendentes de Joe Montana vêm mais uma vez com um esquema altamente moderno e talentoso, que retira até maiores responsabilidades de seu QB. Sim, Garoppolo tem limitações, apesar da fisionomia quase que irreparável, como acham alguns. Por isso, o jogo corrido seguirá sendo uma das saídas, bem como o uso exaustivo de George Kittle e a confiança na melhor defesa da última temporada, de uma agressividade absurda.


Quem não ficará muito atrás e segue sendo forte candidato à vaga nos playoffs, é o Seattle Seahawks. Apesar de certa desconfiança e algumas críticas sobre o trabalho de Pete Carrol, os Hakws também confiam na base competitiva e em mais uma temporada de alto nível por parte de Russell Wilson, mas para isso é necessário que o camisa 3 deixe de ser sobrecarregado. A linha ofensiva ainda apresenta problemas e isso pode ser decisivo. A secundária foi muito bem reforçada com a chegada do safety Jamal Adams. O ataque vem sendo liderado por Tyler Lockett e DK Metcalf, mas no setor de running backs, a stuação segue indefinida, devido a constantes lesões de Rashaad Penny e Chris Carson. Por isso, chegou Carlos Hyde, vindo do Houston Texans.


Num segundo nível da divisão, o Los Angeles Rams ganhou um maravilhoso estádio, mas para desfilar um maravilhoso futebol nele, seria necessário muito mais. Os carneiros botam fé na capacidade e criatividade de Sean McVay para fazer o time jogar, mesmo diante das claras limitações de Jared Goff. Uma das principais peças da equipe nos últimos anos, o RB Todd Gurley se mandou para o Atlanta Falcons e deixou um baita buraco nessa posição. Em contrapartida, o grupo de recebedores tem qualidade e Robert Woods, Cooper Kupp e o calouro Van Jefferson devem dar conta do recado. A defesa ainda tem como sustentáculo o monstruoso Aaron Donald, que sempre impõe respeito, embora ele precise de melhores companhias. Por isso, a campanha deve ficar bem abaixo do esperado.


A torcida do Arizona Cardinals acionou o modo empolgou após a chegada inesperada de DeAndre Hopkins, um dos três melhores recebedores da liga. De fato, o camisa 10 pode fazer uma bela dobradinha com o experiente Larry Fitzgerald e ampliar o leque de opções de Kyler Murray, que sofreu demais na última temporada. Kenyan Drake tem sido um porto seguro para garantir muitos touchdowns corridos. O pass rush parece vir muito bem com a chegada de Isiah Simmons se juntando a Chandler Jones. O novo técnico, Kliff Kingsburry, vem com um discurso ousado e promete fazer o time render e dar alegrias ao tocedor. No entanto, talvez o problema ainda se encontre na linha ofensiva, que dificulta na proteção ao quarterback. Em suma, Arizona não será presa fácil na temporada e poderá até largar a lanterna de divisão para o Los Angeles Rams.



NFC Sul: Aqui a briga vai dar gosto de ver! E motivos pra isso não faltam. Embora ainda acredito que a divisão ficará com o New Orleans Saints, não pensem que a disputa será tranquila, tanto pelo título, quanto por mais uma vaga aos playoffs.



Falando em Saints, a equipe teve uma atuação discreta na offseason, mesmo sabendo que esta pode ser uma das últimas, se não a última temporada, de Drew Brees. De fato, o elenco é muito bom, mas sempre tem deixado a desejar na hora H, ou seja, nos playoffs. Sempre apontada como favorita ao Superbowl, talvez essa pecha atrapalhe. Mas é impossível não considerá-los como um dos favoritos. Michael Thomas tem tudo para fazer mais um campeonato de excelência, Alvin Kamara, forçando uma greve para ter seu contrato renovado, precisa render melhor se permanecer por lá. A chegada do WR Emmanuel Sanders agrega ainda mais o jogo aéreo, mas a do QB Jameis Winston desperta dúvidas, ainda mais no que se refere à possibilidade do mesmo substituir Brees após a aposentadoria do camisa 9.


Mas se o Saints bobear, quem virá fungando no cangote é o Tampa Bay Buccaneers que resolveu impactar o mercado da NFL ao tirar Tom Brady dos Patriots após praticamente 20 anos, e, de quebra, tirar da aposentadoria Rob Gronkowski, que sem dúvida só voltou porque seu grande amigo estava lá. Só que mesmo já "vovôs", ambos se mostram muito motivados, e Bruce Arians terá um repertório ofensivo invejável, incluindo Mike Evans e Chris Godwin. De última hora, a equipe abriu os cofres e trouxe o RB Leonard Fournette, e agora poderá a ter um jogo corrido de respeito. Defensivamente, os Bucs também se reforçaram, o que demonstra que a equipe terá poucos pontos fracos a serem explorados, credenciando-a a pleitear, em totais condições, pelo título de divisão, ou, na pior das hipóteses, uma vaga no wildcard.


Quem precisa dar uma resposta e evoluir nesta temporada, é o Atlanta Falcons. A franquia tem sido vítima de derrotas acachapantes nos últimos anos, retrato de um sistema defensivo em retalhos. Parece que depois daquela virada épica sofrida pelos Patriots, o time nunca mais se encontrou. Matt Ryan tem talento de sobra para conduzir um bom ataque com Julio Jones e Calvin Ridley, e agora reforçado pelo RB Todd Gurley. Entretanto, o draft realizado foi um tanto duvidoso e talvez não tenha direcionado os nomes para as posições realmente carentes. Essa pendência defensiva ainda deve dificultar as coisas e impedir vôos mais altos.


O Carolina Panthers não pode viver de um jogador só! Embora Christian McCaffrey seja o melhor RB da liga, garantindo muitas vitórias para sua equipe, nem sempre ele terá a mesma efetividade em todos os jogos, uma vez que as equipes tentam anulá-lo da melhor forma possível. Para isso, trouxeram o WR Robby Anderson, vindo do New York Jets, para tentar diversificar os alvos do também recém contratado Teddy Bridgewater, que, convenhamos, está longe de ser um quarterback talentoso e efetivo. O setor defensivo caiu demais de rendimento em 2019, permitindo muitos touchdowns para os rivais. Para tentar ajeitar essa casa, a franquia trouxe o HC Matt Rhule, vindo diretamente do College. Vamos ver como será a adaptação, mas o elenco tem muitas limitações e não deve empolgar seu torcedor.



PREVISÕES FINAIS:


NFC Leste: Cowboys

NFC Norte: Packers

NFL Oeste: San Francisco 49ers

NFC Sul: New Orleans Saints


Wildcard: Vikings, Seahawks e Buccaneers