Por que a NFL permite criminosos no seu elenco?


Foto: NFL/Divulgação

E Antonio Brown está de volta ao jogo.


Desde 2017 o wide receiver vinha se envolvendo em polêmicas que no começo foram pequenas, como discussões e problemas internos com sua equipe da época, o Pittsburgh Steelers, até passar por mais confusões em outras equipes após a saída da franquia da Pensilvânia e acabar com uma acusação de estupro, agressão e roubo. Vale lembrar que em junho deste ano Antonio Brown foi condenado a dois anos de liberdade condicional e tinha sido suspenso por 8 semanas da NFL pelo caso de roubo e agressão que se envolveu em janeiro.


A notícia de que ele estaria de volta para jogar em Tampa deixou bastante gente chocada, porque não, Antonio Brown não deveria estar de volta. Porém, podemos notar que isso é algo recorrente na NFL. Muitos jogadores são acusados de estupro, violência física e psicológica e assédio.


Infelizmente, Brown não é um caso isolado, temos muitos outros jogadores que são colocados em um pedestal pelo seu talento em campo, como se nunca tivessem cometido nenhum crime.


Foto: Twitter/reprodução


Tyreek Hill, 26 anos, WR do Kansas City Chiefs, agrediu o próprio filho e quebrou o braço da criança de apenas 3 anos, ameaçando também a mãe do filho que na época era sua noiva. Há gravações de agosto de 2015 onde ele próprio confirma ser culpado.






Foto: Icon Sportswire via Getty Images

Kareem Hunt, 25 anos, RB do Cleveland Browns, em fevereiro de 2018 agrediu uma mulher de 19 anos, com imagens que mostram o jogador empurrando e chutando a jovem. Hunt era RB dos Chiefs na época, foi dispensado do time após o ocorrido, mas logo voltou, contratado pelo time de Cleveland.




Foto: Getty Images

Ezekiel Elliott, 25 anos, RB do Dallas Cowboys, agrediu a ex-namorada que já vinha prestando queixa há muito tempo antes de decidirem começar as investigações, a polícia de Ohio – onde o jogador fazia faculdade – simplesmente ignorava e dizia que não investigaria o caso, mas a ex-namorada não foi a única vítima. Elliott já se envolveu em brigas em boates com outros homens e assediou uma mulher em uma dessas festas, puxando a roupa da mesma para deixá-la com os seios expostos, sem sua permissão.



Foto: Joe Goodberry

Joe Mixon, 24 anos, RB do Cincinnati Bengals, na época da universidade agrediu uma mulher em um bar, quebrando ossos do rosto dela e vídeos mostram o ato covarde do jogador que a partir dai não deveria nem ter sido draftado.





Infelizmente, a lista de nomes é bem extensa. Além de jogadores, nós também já vivenciamos uma equipe interna – praticamente inteira – de um time envolvida em assédio sexual e abuso verbal. Em julho desse ano, o escândalo em Washington veio à tona, denunciando muitos funcionários influentes da franquia que faziam isso tudo com o consentimento de Dan Snyder.


Em contrapartida, temos jogadores que estão sem time por nada comparado a agressões, violência sexual e verbal. Por exemplo, por que até hoje Colin Kaepernick segue sem um time? Por que ninguém quer contratar um QB que é melhor do que muitos que estão jogando atualmente? Há quem diga que ele perdeu seu lugar na NFL pelo baixo rendimento e pela cirurgia que o deixou fora por um tempo, mas baixo rendimento é um ponto que observamos vários jogadores passarem sem serem cortados da liga. Kaepernick, de fato, viu sua carreira ir por água abaixo depois que resolveu protestar contra o racismo que acontece nos Estados Unidos, se ajoelhando durante o hino antes dos jogos. Ele estava protestando por algo que é crime, usou sua visibilidade para ganhar força para a causa e o que a NFL fez? Boicotou o QB.


Não podemos esquecer também de Josh Gordon, o WR foi suspenso por tempo indeterminado por violar a política de uso de substâncias proibidas. Não foi a primeira suspensão do atleta, mas vício é algo que precisa ser tratado e não punido, Josh Gordon não é um criminoso e aguarda para poder retornar, já entrou com um pedido de reintegração e ainda segue suspenso, esperando.


Por que a NFL permite que assediadores, agressores e estupradores fiquem em seu elenco enquanto boicotam a carreira de outros que mereciam estar lá? Fazer vista grossa para isso tudo enquanto condena atos de luta contra o racismo e põe no chão dependentes químicos na posição de uma liga muito rica que poderia até mesmo oferecer ajuda para tais só reflete um problema social que existe há muitos anos que mostra que na maioria das vezes o homem pode fazer o que quiser, desde que não interfira no que julgam como 'bons costumes'. Dependência química? Inaceitável. Se posicionar contra racismo? Que besteira! Isso nem existe. Já agredir alguém e aproveitar da sua força totalmente desproporcional da vítima e fazer algo sem o consentimento dela parece um ato de gentileza para a liga e para aqueles que continuam colocando atletas como esses em um pedestal.


Acontecimentos extra-campo deveriam interferir na carreira de um atleta, suspensões de semanas não são punições nem um pouco cabíveis para as atrocidades que esses homens cometem e conseguem sair praticamente impunes com as carreiras quase que intactas, como se os crimes cometidos simplesmente não tivessem acontecido depois de um tempo passado.


Já passou da hora da liga, dos jogadores que apoiam os atletas criminosos e dos próprios fãs do esporte deixarem de serem coniventes com isso, é desanimador ver que jogadores como Russell Wilson e Tom Brady se posicionam a favor de um acontecimento como a volta de Antonio Brown, desejando ter uma pessoa como ele em seus times.


A impunidade dessas figuras tão influentes apenas reforçam padrões de machismo e misoginia, a NFL como uma liga esportiva grande e famosa, deveria ser palco para propagar ações contra isso e não mostrar que crimes assim ficam impunes.


Todos os dias mulheres são assediadas, verbal e fisicamente. Todos os dias mulheres são vítimas de feminicídio. É aterrorizante pensar em todos os casos e lembrar que o agressor fica livre na grande maioria das vezes, principalmente se ele for um astro da NFL.


No site já falamos mais detalhadamente sobre o caso do Antonio Brown e você pode ler aqui, também sobre o escândalo em Washington e sobre a trajetória do Colin Kaepernick.