• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Packers 35x20 Texans: Reabilitação, show de Adams e vitória sem sustos



A previsão era de um jogo difícil e na base da superação. Green Bay acumulava desfalques e vinha de uma derrota vexatória em Tampa.


A secundária da equipe não contaria com Kevin King e Darnell Savage. E ainda, para piorar, a linha ofensiva não teria a presença do melhor offensive tackle da liga, David Bakhtiari, e o ataque ficaria órfão de seu melhor corredor, Aaron Jones, que foi ausência de última hora.


É bem verdade que o adversário vinha com uma campanha 1-5 sofrível, em retalhos após a saída de Bill O'Brien e com um Deshaun Watson sufocado, sem ter peças ofensivas à altura da equipe, além de uma defesa combalida e limitada a lampejos de bom futebol de um JJ Watt desmotivado e louco para respirar novos ares.


Porém, diante das ausências já relatadas pelo lado dos Packers, o jogo poderia ganhar contornos de equilíbrio.


Por sorte, e por competência dos cheeseheads, não foi o que se viu na prática.


Green Bay comandou integralmente a partida, com amplo domínio, tranquilidade e segurança, consolidando um 35-20 que poderia ter sido muito maior, não fosse certo relaxamento natural no último quarto.


Talvez isso faça crer que realmente o que houve em Tampa Bay foi um mero acidente de percurso, reservados os totais méritos do adversário em pressionar incansavelmente Rodgers e anular o forte ataque green and gold.


Por falar em Aaron Rodgers, o camisa 12 teve mais uma atuação brilhante e digna de quem parece brincar jogando, conectando passes longos e perfeitos, sem flertar com turnovers. Passou para 4 touchdowns e terminou com um rating superior a 132.


Se ele queria calar as críticas após a derrota anterior, conseguiu com êxito.


Mas a tarde não seria apenas do quarterback. Na outra ponta da jogada existia um homem que já forma uma química inigualável e eficiente com Rodgers. Com dois touchdowns e outras tantas recepções incríveis, Davante Adams vai se consolidando como um dos três melhores wide receivers da liga, quiçá o melhor no momento, dada a sua qualidade, dinamismo e sua expertise em correr rotas como nenhum outro.


Quem se lembra da sintonia entre Rodgers e Jordy Nelson e acompanha a atual dobradinha do primeiro com Adams, cria a expectativa de momentos ainda mais espetaculares e vitórias conduzidas por esta dupla.


Vale se destacar também os primeiros touchdowns marcados na temporada pelo tight end Jace Sternberger, que pode ser mais explorado e por Malik Taylor, recebedor talentoso que pode "roubar a cena" de outros jogadores da posição que não vivem uma boa fase, casos de Marquez Valdes Scantling e Equanimeous St Brown.



Por fim, ainda rolou o touchdown corrido de Jamaal Williams que assumiu a titularidade excepcionalmente e não decepcionou.


Ressalte-se, apesar da inferioridade do Houston Texans, a vitória de ontem tem uma conotação fundamental: mostrar a força do elenco.


Mais uma vez, Matt LaFleur supera os desfalques, não inventa e usa as peças de reposição que tem, para manter a equipe rendendo em alto nível.


Mesmo com a secundária incompleta, Jaire Alexander fez um grande trabalho e carregou o piano por ali, contando com a ajuda de Adrian Amos, que voltou a ter um rendimento melhor que na semana passada contra os Buccaneers. Quem entrou por ali, como Chandon Sullivan, não comprometeu.


A linha ofensiva, que foi engolida pelo front seven de Tampa, e ontem não contava com Bakhtiari, deu uma resposta positiva, impedindo qualquer pressão para cima de Rodgers, valendo destacar o bom trabalho de Billy Turner, Lucas Patrick e Elgton Jenkins.


E, ainda, na ausência de Aaron Jones, Williams assumiu com personalidade o backfield, correndo e recebendo, AJ Dillon ganhou mais oportunidades, além de Dexter Williams que foi promovido ao jogo. Embora não muito utilizado ontem, o corpo de running backs do Packers é qualificado e dá conta do recado.


Por incrível que pareça, a defesa armada por Mike Pettine não trouxe calafrios à torcida, apesar de algumas falhas gritantes que se repetem, e, especificamente ontem, de ceder muito espaço para o ex-wide receiver e saudoso Randall Cobb. Os Smith Brothers estiveram bem, mas quem chamou a atenção foi o novato Kamal Martin. Ainda assim, é possível pressionar muito mais o quarterback adversário e forçar turnovers.


Os Texans, por sua vez, tinham muita dificuldade em parar o ataque dos Packers, principalmente o jogo aéreo, e ofensivamente chegava graças a alguns bons passes de Watson para Cobb e Fuller. O jogo corrido de Houston é uma nulidade. Diante disso, nada ameaçador.


No fim das contas, superação e criatividade ainda tem sido a tônica de Green Bay nessa temporada, diante de adversidades e desfalques, de forma a provar que o elenco é forte e tem capacidade de ir longe na temporada.


Enfim, um jogo seguro e sem sofrimentos, para poupar o torcedor e fazer esquecer a tragédia ocorrida na Flórida, que, aparentemente, para a equipe, parece coisa do passado.


Os Packers alcançam a campanha 5-1 na temporada, dividem a liderança da divisão com o Chicago Bears e voltam a campo no próximo domingo (01/11), às 15 horas, em Lambeau Field, contra o Minnesota Vikings.


#GoPackGo