• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Packers 35 x 16 Bears: Coroação de uma ótima temporada regular, mas agora é virar a chave



Era um jogo de playoffs.


Assim já classificava o HC Matt LaFleur no início da semana.


Ambas as equipes tinham grandes interesses no embate do Soldier Field. Para Green Bay, seria a consolidação da Seed 1 da NFC, que garantiria a folga na primeira rodada dos playoffs, e o saboroso gostinho de eliminar o maior rival da disputa da pós-temporada.


Para Chicago, só a vitória interessava para conseguir uma improvável classificação até então.


E, no fim das contas, todos saíram felizes, mesmo com o resultado sendo amplamente favorável aos Packers. O 35-16 coroou uma excelente campanha 13-3 dos cheeseheads e trouxe a tão sonhada "bye", enquanto que os Bears contaram com a sorte e com a vitória do Los Angeles Rams pra cima do Arizona Cardinals, para conseguirem aquela vaguinha pela porta dos fundos, com 8 vitórias e 8 derrotas na temporada.


Foi um jogo tão bom quanto aquele contra o Tennessee Titans. Green Bay vinha amplamente motivado após parar um dos melhores ataques terrestres da liga e desfilar todo o seu poderio ofensivo sobre a neve de Lambeau Field.


Aaron Rodgers diz que ama vencer o Chicago Bears. E como ama. Com 4 passes para touchdowns (Tonyan, Scantling, Dafney e Adams) e 240 jardas totais, o camisa 12 se consagra como o MVP da temporada, empilhando recordes como se brincadeira fosse, ostentando ratings que beiram a perfeição. O quarterback somou, ao final da regular season, 48 passes para touchdown, recorde da franquia, números esses compatíveis com toda a genialidade por ele apresentada ao longo do ano.


Muitos podem achar a temporada 2010/2011 como a melhor de Rodgers, confirmada com a conquista do Superbowl 45, mas, a seguir dessa forma, o Rei do Norte tem tudo para superar as marcas anteriores e escrever uma nova história que dificilmente será difícil de ser batida, a não ser que seja por ele mesmo.


Dessa vez, o diferencial é que AR12 terá a vantagem de jogar sempre em seus domínios, incluindo a final de conferência, caso a equipe chegue até lá, num janeiro congelante em Green Bay.


Quanto à partida, mesmo após sair em desvantagem, os Packers, assim que assumiram a dianteira do placar, não sofreram grandes ameaças, a não ser com alguns avanços de David Montgomery e Darnell Mooney.


O momento mais tenso foi no início do segundo tempo, com o placar 21-16, onde após dois drives muito ruins, com direito a flertes com interceptações, Green Bay correu o risco de sofrer a virada. No entanto, por conta do bom trabalho defensivo, o time não sofreria mais pontos até o fim do duelo. Apesar de pouca pressão no QB adversário, ainda foi possível forçar uma interceptação com Adrian Amos, que provou, mais uma vez, que a lei do ex é implacável. E tal lance mataria o jogo.


E dali para frente o ataque deslancharia novamente, com o jogo terrestre sendo mais acionado, permitindo a Aaron Jones deixar sua marca no confronto.


Defensivamente, os Packers vem se fortalecendo e ganhando corpo. Muito embora o ataque dos Bears seja limitado, em função das atuações geralmente desastrosas de Mitchell Trubisky, os comandados de Mike Pettine vêm ganhando confiança a cada partida, cedendo cada vez menos pontos e jardas aos adversários. O velho problema do jogo terrestre já não se mostra um fantasma tão presente.


A linha ofensiva se superou, no primeiro jogo sem David Bakhtiari. O tackle rompeu os ligamentos do joelho e está fora da temporada. Sua ausência é enorme, tanto pela qualidade, quanto pela liderança em campo. Mas acredito na capacidade dos substitutos e na criatividade de LaFleur para manter essa unidade forte como sempre foi.


Com isso, Green Bay encerrou a temporada regular com a campanha 13-3, a mesma registrada em 2019, porém com uma equipe muito mais madura e eficiente.


Matt LaFleur chega a 27 vitórias em 34 jogos. O entrosamento entre ele e Aaron Rodgers só cresce.


O ataque vem produzindo em alto nível. Rodgers é o MVP. Adams é forte candidato a OPOY e recordista de touchdowns numa temporada com 18, juntamente com Sterling Sharpe na temporada de 1994.


A defesa vem dando menos sustos em seu torcedor.


Todos estes fatores enchem de confiança e esperança time e torcida. Há a imposição de um favoritismo pela mídia. Mas agora a história é outra. É preciso virar a chave. Nos playoffs as forças se igualam e as surpresas sempre marcam presença.


Que a equipe possa descansar e se preparar da melhor forma possível, venha quem vier. Hoje o Packers é visto com outros olhos, com respeito e talvez temor. Ninguém quer jogar no Lambeau Field em janeiro.


Cabe a Green Bay, de agora em diante, se provar gigante, e com mais três passos trazer o quinto anel para casa.


#GoPackGo