• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Packers 34x17 49ers: Vitória em ritmo de treino e obrigação cumprida



Jogo de um time só. Assim pode ser definido o encontro entre Packers e San Francisco 49ers na noite da última quinta-feira.


Green Bay fez o simples para vencer um adversário combalido pelos múltiplos desfalques e anotou 34-17 com absoluta tranquilidade e domínio das ações.


Havia um cheiro de rivalidade no ar, após derrotas consecutivas na Califórnia, mas a situação era totalmente distinta das anteriores.


As equipes eram totalmente diferentes. San Francisco não contava com suas melhores peças defensivas, como Nick Bosa e Richard Sherman, nem ofensivas, casos de George Kittle, Deebo Samuel, Kendrick Bourne, Tevin Coleman e o terrível e nada saudoso Raheem Mostert, além do QB titular, Jimmy Garoppolo. Era uma equipe em retalhos.


Green Bay também não vinha num momento maravilhoso, chegava de uma derrota com ares de vergonha, para seu rival de divisão, e em casa, sendo vítima de quatro touchdowns do mesmo jogador.


Além disso, não contava com desfalques importantes, como Darnell Savage, Kevin King, David Bakhtiari, Jamaal Williams e Allen Lazard.


Por isso, uma "vingança" só seria plena caso os times estivessem em maior igualdade de condições, isto é, completos, e numa condição de playoffs.


De qualquer forma, diria que foi um troco satisfatório.


De fato, havia um favoritismo escancarado para a equipe de Wisconsin, uma vez que os Niners, por pouco, não tinham time para colocar em campo, considerando graves lesões e casos de covid confirmados.


Mas o torcedor cheesehead, sempre ressabiado, e com razão, estava com o pé atrás, pois a partida seria no Levi's Stadium, palco de doloridas derrotas, principalmente duas inesquecíveis na temporada passada, que custaram, inclusive, o título de conferência. Por isso, todo cuidado e humildade era pouco.


E o que justificava essa desconfiança era, justamente, a preocupação com uma defesa extremamente frágil e vulnerável ao jogo terrestre dos rivais. Esperava-se, então, que San Francisco se valesse e muito de tal expediente. E era aí que o risco de deixar a vitória escapar morava.


No entanto, o que se viu foi um domínio amplo e irrestrito dos Packers, do começo ao fim da partida, com um desempenho forte e seguro tanto do ataque, quanto da defesa.


Tanto é assim, que a equipe de Matt LaFleur chegou a abrir 31-3 no placar, e somente foi sofrer o primeiro touchdown no último quarto do jogo. O ataque vem mantendo o alto nível de apresentação.


Aaron Rodgers, em mais uma partida soberba, passou para quatro touchdowns, acumulando 305 jardas aéreas e um rating de 147.2, números dignos de um MVP.


Parece que quando o quarterback vem de uma derrota, joga ainda melhor.


Davante Adams, o melhor corredor de rotas da liga, teve mais uma atuação excelente e consistente, anotando um touchdown e recebendo diversos passes longos com absoluta segurança, mostrando, como sempre, ser o porto seguro de Rodgers.


Marcedes Lewis também teve liberdade total na endzone para deixar sua marca, num jogo em que os tight ends não foram tão acionados.


Mas o grande destaque ficou para o criticado Marquez Valdes Scantling, que anotou dois touchdowns, um inclusive num passe magistral do camisa 12, e espantou, ao menos até a próxima rodada, a pecha de ser um mero "dropador".


Defensivamente, a unidade de Mike Pettine teve lampejos daquela que vimos em 2019, exercendo pressões sobre Nick Mullens e forçando fumbles e uma interceptação.


Mas, convenhamos que a equipe dos 49ers não tinha jogadores de qualidade considerável para incomodar a defesa dos Packers. Apenas o WR Richie James e o RB Jerrick McKinnon davam certo trabalho em alguns snaps.


Portanto, nada de endeusar o coordenador defensivo. Muito pelo contrário. A partida de ontem não serviu como parâmetro para enxergar uma melhora considerável no setor que mais preocupa a torcida.


Assim, o que mais importou neste Thursday Night Football foi a vitória. Era obrigação, com todo respeito ao adversário. E a equipe se portou bem, jogando sem pressão e sabendo se impor durante os 60 minutos.


Mais importante que isso, era manter a liderança da divisão e recuperar a confiança após uma partida drástica contra o Minnesota Vikings. O time está 6-2 na classificação.


Se não se pode tirar muita coisa de base em tal vitória, diante da situação deplorável do time de San Francisco, que fiquemos então com o resultado positivo e com o gostinho de termos exorcizado um fantasma que nos atormentava há algum tempo.


O Packers volta à campo no dia 15 de novembro, às 15 horas, no Lambeau Field, contra o Jacksonville Jaguars.


#GoPackGo