• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Packers 31 x 34 Colts: Derrota com requintes de crueldade na prorrogação



Se uma partida de futebol americano tivesse apenas dois tempos ou trinta minutos de duração, certamente o Green Bay Packers faria por merecer a vitória na noite de ontem.


No entanto, como o jogo na NFL é composto de quatro períodos, equivalentes a 60 minutos, a equipe de Wisconsin, no cômputo geral, foi derrotada com justiça e propriedade. E nem se diga que os méritos devam ser dados integralmente ao adversário. Os Packers perderam para eles mesmos e sucumbiram novamente aos próprios erros.


A grosso modo, ser derrotado para o Indianapolis Colts no atual momento da temporada, e jogando fora de casa, não poderia ser considerado um resultado imprevisível, afinal de contas, a equipe de Frank Reich vem se mostrando como dona de uma das melhores defesas da liga e de uma linha ofensiva extremamente forte, quiçá a número 1 da NFL.


Portanto, o desafio seria grande. Mas a esperança dos torcedores de Green Bay estava justamente no fato de a equipe ir para campo sem nenhum jogador de destaque lesionado. Kevin King e Allen Lazard estavam de volta e poderiam acrescentar muito à secundária e ao ataque, respectivamente.


E, de fato, o ataque foi imponente e dominante durante o primeiro tempo, anotando 28 pontos, com relativa facilidade, mesmo diante de um sistema defensivo extremamente qualificado, e com direito a uma interceptação sofrida por Aaron Rodgers.


Mesmo assim, o quarterback vinha em mais uma atuação de MVP e teve tranquilidade para distribuir bem suas jogadas e ver Robert Tonyan, Aaron Jones, Davante Adams e Jamaal Williams anotarem seus touchdowns, em dois períodos seguros e praticamente irrepreensíveis.


Na outra ponta, a defesa comandada por Mike Pettine não fazia grandes bobagens (exceto colocar o Preston Smith para marcar o Trey Burton) e forçava fumbles, com boa atuação dos safeties, principalmente, cedendo apenas 14 pontos na primeira metade da partida.


Era o prenúncio de uma grande vitória e sem sustos. Era.


A história do jogo merece ser dividida em duas partes: Antes e após o intervalo.


Nos trinta minutos derradeiros, tudo mudou. Parecia que os Packers tinham ficado nos vestiários, ou o futebol da equipe pelo menos. O ataque tornou-se uma nulidade em campo e a defesa voltou a executar outra atuação pavorosa, com erros crassos provenientes de chamadas inacreditáveis do coordenador defensivo.


Os Colts, que não tinham nada a ver com isso, foram se aproveitando das fragilidades explícitas demonstradas por Green Bay e construindo com calma a ultrapassagem no placar.


Faltando poucos minutos para o fim do jogo, Indianapolis liderava por 31-28 e tinha em suas mãos a vitória, mas, por uma sequência de faltas de sua linha ofensiva, acabou tendo que devolver a posse para os Packers com pouco menos de um minuto e meio.


Aaron Rodgers foi então para o tudo ou nada, visando, ao menos o empate e a ida até a prorrogação. E foi num passe magistral de 47 jardas para Marquez Valdes Scantling, que a campanha começou a ser construída e, por detalhe, não resultou em touchdown.


Assim, Mason Crosby anotou o field goal que empatava a partida em 31-31 e prorrogaria o sofrimento por mais alguns minutos.


Os otimistas acreditavam que a confiança havia mudado para o lado cheesehead da partida, ainda mais porque Green Bay iniciou o overtime com a posse de bola.


Mas o balde de água fria na esperança green and gold ainda estava por vir. Logo na primeira campanha da prorrogação, Scantling, que até então havia sido o herói no tempo regulamentar, colaborando para levar o jogo à prorrogação, tornou-se vilão, ao receber passe de Rodgers e sofrer um fumble após colidir-se com o defensor DeForest Buckner.


O adversário receberia a bola em torno da linha de 30 jardas do campo de ataque. Bastava um field goal para matar o jogo. E ele veio.



A derrota por 34-31 veio com requintes de crueldade aos torcedores dos Packers, que chegaram a criar expectativas para uma possível virada no tempo extra.


Contudo, é bem verdade, que pela atuação horrorosa do segundo tempo, a equipe de Matt LaFleur não merecia sorte melhor. A tão cobrada regularidade, mais uma vez, não foi vista.


LaFleur que, por sua vez, também possui considerável responsabilidade pelo resultado. Um play call muito mal executado, principalmente em jogadas curtas e para poucas jardas, prejudicou demais o time e proporcionou falhas como aquela que definiu a partida. Novamente, o jogo terrestre foi subutilizado e poderia ser uma saída diante da forte defesa de Indianapolis.


Quanto à defesa, mais do mesmo. Desempenho pífio, falta de pressão no quarterback, secundária passiva e dificuldade em parar ações terrestres. Mike Pettine passa a estar com os dias contados. Infelizmente, eventual mudança só ocorrerá ao final da temporada.


Não bastasse isso, até o special teams teve uma noite infeliz. J.K Scott teve um baixo aproveitamento nos punts, e o retornador Darrius Shepherd foi muito mal, tendo inclusive sofrido um fumble.


Em suma, para quem vê de longe o resultado, pode imaginar que foi uma derrota normal. Mas, na verdade, foi uma derrota procurada pelo Packers durante todo o segundo tempo. Aos Colts coube apenas aceitar a gentileza.


O cerco vai se fechando, a temporada regular caminha para o fim, e Green Bay segue com sua instabilidade constante e falhas que parecem "incorrigíveis". Ao mesmo passo, as expectativas de sucesso nos playoffs vão se esvaindo. Por isso, não é hora de nutrir sonhos.


Pior que perder para qualquer adversário, é perder para si mesmo.


Os Packers estão com campanha 7-3, seguem liderando a NFC Norte, e voltam à campo no próximo domingo, dia 29/11, às 22:20, contra o Chicago Bears.


#GoPackGo