• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Packers 10 x 38 Buccaneers: Derrota sintomática escancara a dependência de Rodgers


Era para ser uma tarde-noite histórica. Aaron Rodgers e Tom Brady, dois lendários quarterbacks, que estarão no Hall da Fama, se enfrentariam apenas pela terceira vez em tantos anos de liga.


Todo fã de NFL, clubismo à parte, estava ligado nesse jogo, diante de tanto talento colocado à prova.


E, de fato, foi uma noite histórica. Só que para o Tampa Bay Buccaneers. Uma vitória impiedosa, acachapante e incontestável, por 38-10, que encerrou a invencibilidade de Green Bay e que criou diversos questionamentos acerca da equipe de Matt LaFleur.


Quem viu o início de jogo, principalmente os torcedores cabeças de queijo, jamais imaginaria o filme de terror que estaria por ser exibido no Raymond James Stadium.


Num primeiro quarto absolutamente seguro, os Packers abriram 10-0, controlaram muito bem o relógio e não deixaram os Bucs sequer conseguirem um firstdown no pouco tempo em que estiveram em campo.


Parecia que a sabedoria de Rodgers e LaFleur iria mais uma vez se sobressair, com boas chamadas, uma defesa firme e deixando o adversário ter a posse da bola o mínimo possível.


Só parecia. No segundo quarto, o vento resolveu soprar para o outro lado.


É bem verdade que desde o início da partida foi fácil perceber que os Bucs viriam para pressionar muito Aaron Rodgers, com marcação precisa nos recebedores e impedindo ao máximo as progressões de Aaron Jones.


Mas jamais imaginaria ver tamanha sede e intensidade partindo da defesa da equipe de Bruce Arians.


Uma série de blitzes arruinou a linha ofensiva dos Packers, que viveu uma noite de pesadelo. O jogo começou a tomar outro rumo quando Rodgers, até então o único QB a não ser interceptado na temporada, sofreu seu primeiro turnover, resultando numa pick-six.




O time visivelmente sentiu o golpe ao ver seu quarterback pressionado e sem saída.


Ainda podia piorar. E piorou. Quando o camisa 12 de Green Bay lançou nova interceptação, quase sofrendo uma nova pick-six, Tampa Bay anotou seu segundo touchdown na partida e aí começaria a nadar de braçada.


Foi o golpe fatal. Os Packers assistiam a tudo isso passivamente, vendo a invencibilidade escorrer entre os dedos, completamente entregue à superioridade defensiva do adversário, sem qualquer tipo de reação. Rodgers também demonstrava, em seu semblante, que não estava sua melhor jornada.



O calvário green and gold começava ali. Tom Brady conduzia com maestria seu ataque, acionando Ronald Jones e seu grande companheiro, Rob Gronkowski, que anotou seu primeiro touchdown na temporada e teve outras recepções importantes, sobre uma secundária combalida e já desfalcada de Kevin King.


O Packers seguia flertando assustadoramente com novos turnovers, diante de um sistema defensivo incansável e implacável, que anulou Jones e Adams. Por isso, não marcou mais nenhum ponto na partida e ainda viu os Buccaneers deslancharem no placar e encerrarem a tortura cheesehead com massacrantes 38 pontos.


Para quem esperava um jogo disputado, entre dois quarterbacks da primeira prateleira da NFL, foi uma frustração.


Para quem esperava um jogo de alto nível dos Packers, como aqueles anteriores que garantiam até então a invencibilidade, foi um balde de água fria.


É necessário se dividir responsabilidades. LaFleur foi muito mal nas chamadas, deixando o jogo corrido de lado diversas vezes. No entanto, ainda tem crédito, embora de suas cinco derrotas no comando da equipe, três delas foram vexatórias (37-7 e 37-20, ambas para os 49ers e a derrota de ontem), em jogos ditos "grandes". Isso é preocupante.


Mike Pettine teve outra jornada absolutamente infeliz. O front seven não promoveu nenhuma pressão sobre Tom Brady, que saiu com o uniforme limpo de campo e teve todo o tempo do mundo para pensar suas jogadas. A secundária foi totalmente apática, sem qualquer inspiração, marcando sempre atrasada, sinal do péssimo jogo realizado por Alexander e Amos, principalmente.


A linha ofensiva, até então o grande destaque da equipe, foi dizimada pelas blitzes em profusão efetuadas pelos Bucs e não conseguiu proteger Rodgers, que foi vítima de diversos sacks e dois turnovers. Este último, por sua vez, talvez seja o menos culpado.


A verdade é que o Packers é movido por Aaron Rodgers. Se este estiver num momento feliz dentro da partida, os outros setores fluem bem. Porém, nos raros momentos de infelicidade do quarterback, que são naturais, o time se perde completamente, como se seu "combustível" tivesse acabado.


Não dá para dizer que ontem o Packers perdeu para ele mesmo, pois é justo dar todos os méritos ao adversário pela brilhante partida. Mas a verdade é que, psicologicamente, a equipe sucumbiu após a primeira interceptação sofrida e não demonstrou nenhuma maturidade para superar tal adversidade e se manter competitiva no jogo.


Vale o alerta. Não é hora de fazer "terra arrasada" e achar que está tudo errado. Entretanto, muitas lições tem que ser tomadas para que outro vexame desse não se repita adiante.


Não estava tudo maravilhoso com 4 vitórias em 4 jogos. Não está tudo péssimo após a primeira derrota.


Só que parece que os Packers não aprenderam com as humilhantes derrotas da temporada passada, incorrendo em mesmos erros.


E o pior de tudo, ainda não aprendeu a jogar bem quando Aaron Rodgers está mal.


Assim, após três jogos, Brady leva 2x1 de vantagem sobre Rodgers, mas eles ainda podem se encontrar nos playoffs.


Com certeza, para os torcedores derrotados, foi um jogo para se esquecer. Para o time derrotado e seu staff, um jogo que não pode ser esquecido.


Green Bay volta à campo no próximo domingo (25/10), 14h, no NRG Stadium, contra o Houston Texans.


#GoPackGo