• Igor Castro

O silêncio das arquibancadas e as novas formas de torcer

Tendo a impossibilidade de receber seus torcedores, as ligas e franquias americanas dosam sua criatividade para atrair e tentar ficar mais perto dos fãs de esporte.

Cenas como essa, o popular Lambeau Leap, entre jogadores do Packers com a torcidas praticamente não acontecerão na próxima temporada. Foto: The Wall Street Journal

Com a ascensão da pandemia do Coronavírus, o esporte que é uma das esferas do entretenimento, foi certamente um dos mais prejudicados nessa crise sanitária. Nos Estados Unidos, a pandemia levou um tempo para chegar lá, e com isso tivemos a chance de ver jogos da NFL, NBA e NHL com presença da torcida que empurravam fervorosamente seus times em busca da vitória.


Contudo, com explosão de casos do Coronavírus em território americano, com a exceção da NFL que já tinha tido sua temporada encerrada, NBA e NHL tiveram que rapidamente paralisar suas partidas de temporada regular e aguardar o melhor momento para o retorno.


A MLB, era outro esporte que seria atingido pela pandemia. A temporada regular que é comumente iniciada ao fim de março e começo de abril, teve que abortar o começo do novo ciclo de competição por causa do agravamento do Coronavírus em vários estados americanos. Ou seja, de forma inédita, os fãs de esportes americanos se viram órfãos daquilo que mais gosta, ao de acompanhar seus times nos seus esportes favoritos. E olha que foram meses de muitas expectativas de retorno ou início.



Das primeiras ligas a terem a oportunidade de voltar a competir, a MLB foi a primeira que deu o ponta pé inicial. Mas algo nos jogos já deu para se reparar, a ausência e o silêncio das arquibancadas. A popular aglomeração de torcedores, os gritos em cada jogada de sucesso feita pela equipe e até mesmo a disputa pelas bolinhas depois de um home run foram aniquilados de forma temporária.


Sem poder ter o apoio dos torcedores, coube as franquias utilizar sua criatividade para amenizar essa dolorida separação dos jogadores com seus torcedores. E valia de tudo, desde papelões com a imagens dos torcedores, bem como cantos e vaias das torcidas enviadas por um app de celular criada pelo MLB, até mesmo projeções gráficas de torcedores dentro dos estádios. Isso meio que serviu de alento para que todos que acompanham beisebol como seu esporte favorito.


Nas transmissões da MLB feita pelo canal Fox Sports, haverá sempre a introdução de torcedores interativos na tentativa de cobrir os espaços vazios dos estádios de beisebol. Foto: Reprodução/Fox Sports

Na NBA, as coisas não foram muito diferentes. Ginásios e presença das torcidas, foram praticamente abandonados e a liga priorizou a retomada dos jogos em uma bolha no complexo esportivo da Disney. Contudo, a inovação da NBA venho a tona. Sem poder contar com os fãs de basquete nos ginásios, a liga decidiu colocar telões nas três quadras onde os jogos estão sendo disputados e neles estão as imagens e áudio ao vivo de vários torcedores, com aparições até Shaquille O’Neal e o mascoste Bango do Milwaukee Bucks apareceram na torcida interativa.


Ídolo do Los Angeles Lakers, o ex-pivô, Shaquille O'Neal foi a principal estrela a aparecer na torcida interativa criada pela NBA. Foto: ESPN

Já a NHL retomou sua temporada com jogos de playoffs, com alguns jogos a mais em disputa. Fazendo algo na mesma linha da NBA, NHL decidiu por realizar seus jogos em duas bolhas que são feitas nas cidade de Edmonton e Toronto no Canadá, com as equipes alocadas em hotéis pré determinados.


E como ocorreu em outras ligas, a NHL teve que dar seu jeitinho para amenizar o distanciamento para com seus torcedores. Nos ginásios em que os jogos estão sendo disputados, sons com gritos da torcidas e o som da sirene soando suavemente a cada gol das equipes são as maneiras encontradas de deixar o ambiente um pouco mais próximo com o torcedor fã de hóquei.


Mas se já temos experiências, na MLB, NBA e NHL, como acontecerá na NFL? Como será conviver com jogos em que não haverá público e se houver será capacidade mínima? Como os ataques e defesas dos times vão agir com o distanciamento dos torcedores e como isso se refletirá em desempenho das equipes em campo? O popular barulho pré snap e no momento do huddle, para confundir o adversário, fazendo com eles não consigam se comunicar para definirem a jogada ou até mesmo forçando uma falta? São dúvidas que só saberemos após o primeiro kickoff da temporada.



Até lá, com o kickoff previsto para o dia 10 de setembro, muitas novidades sobre a presença ou não de torcedores serão noticiadas. Até o momento, somente o Green Bay Packers, Houston Texans, Kansas City Chiefs e Chicago Bears já anunciaram o que farão quando tiver jogos em seus respectivos estádios e se haverá ou não o comparecimento de suas torcidas.

O Packers até cogitou ter alguns torcedores no Lambeau Field, com a divisão com o distanciamento entre torcedores, mas após estudarem melhor o assunto voltaram atrás e decidiram por não receber os fãs cabeças de queijos. Já o Texans a decisão foi tomada devido ao agravamento da pandemia do Coronavírus no estado do Texas. E sem a segurança necessária, para o acesso dos torcedores na partida contra o Baltimore Ravens, a decisão da direção do Texans foi de não ter a torcida em seu estádio. O Chicago Bears tomou a mesma decisão de Texans e Packers e nesse início de temporada regular, não terá a presença de seus torcedores no Soldier Field.


Já o Chiefs foi num movimento contrário, após discussões com as autoridades de saúde e o prefeito da cidade de Kansas City, Quinton Lucas, ficou decidido que o Chiefs só poderão receber apenas 22% da capacidade do Arrowhead Stadium, em torno de 15 mil torcedores, de um total de 76 mil que o estádio pode receber. A medida já vale para o jogo de estreia contra o Houston Texans, partida de abertura da temporada da NFL.


Considerado o estádio mais barulhento da NFL, a casa do Chiefs será menos perturbador aos adversários, já que vai receber número reduzido de torcedores. Foto: Green Sports Alliance

Os torcedores que forem assistir aos jogos do Chiefs, terão usar obrigatoriamente máscaras e só poderão deixar de usa-las para comer ou beber. Há ainda a possibilidade de aumentar a quantidade de torcedores se houver evolução na redução de número de casos de Coronavírus na cidade de Kansas City.


Com Packers, Texans, Chiefs e Bears, demais franquias, como Atlanta Falcons, Indianapolis Colts, Baltimore Ravens, Cincinatti Bengals e Jacksonville Jaguars já sinalizaram que poderão com receber seus torcedores nos seus estádios, mas também em número reduzido. Já outras franquias ainda não se pronunciaram o que vão fazer, mas até o fim desse mês de agosto, começo de setembro saberemos os desfechos desse momento inconveniente. Mas uma coisa é certa, o ambiente festivo, pré, durante e pós jogos da NFL não será o mesmo nessa atual temporada.


Porém, caberá as franquias ter uma criatividade inovadora, como foi o caso da NBA, de tentar achar meios de aproximar a torcida, pois ela estará praticando o distanciamento necessário nesse momento complicado de saúde pública mundial. Desse jeito, caberá a nós fãs da bola oval, a aceitar esse momento de silêncio das arquibancadas e torcer logo que possamos ter uma vacina para que esses ambientes, seja estádios ou ginásios possam ter o calor e a vibração dos torcedores que embalam seus times para as conquista das vitórias e consolam suas equipes nos momentos das derrotas.


Atualização: Depois de Packers, Texans e Bears, outro time que não vai receber sua torcida é o New England Patriots. A equipe oficializou a sua decisão na tarde desta terça feira, 18/08.