• Heitor Santos

O que podemos esperar de uma temporada de 82 jogos na MLB


Créditos: John Minchillo/AP

Nessa altura do campeonato, se houver a temporada 2020, está fora de cogitação uma season de 162 jogos. Então precisamos nos preparar para uma possível temporada de 82 partidas.

É claro que para o beisebol, uma temporada com 82 jogos soa muito estranho, nunca, em mais de um século de MLB houve uma temporada tão curta. Com essa quantidade de jogos, podemos dizer duas coisas.

1). É melhor do que nada


2)Não são tão legais como uma temporada de 162 partidas.


Então precisamos nos preparar para o que essa temporada pode ser e pode significar. É obvio que, mesmo com 82 jogos, coisas magicas irão acontecer, estatísticas irão acontecer, teremos vencedores e perdedores, teremos história. Mas como devemos encarar essa história? O que estas estatísticas irão significar? Como devemos encarar as vitórias dessa temporada? E as derrotas?

Uma coisa que todos concordamos é que uma temporada curta não teria o mesmo gosto de uma temporada normal, mas qual seria o gosto dessa temporada?

John Thorn, o historiador oficial da MLB disse “Seria diferente, mas você sabe qual a beleza do Beisebol? É o mesmo, só que sempre diferente. Todo jogo parece igual, toda a temporada parece igual, mas sempre há diferenças, mesmo que sutis, mas ainda será beisebol”.

Mas como iremos olhar para o que está prestes a se desenrolar? Como a história vai considerar? Como historiadores vão olhar para os campeões e recordistas de uma temporada encurtada?

O melhor jeito de ver isso é examinar essas perguntas pelo prisma de dois acontecimentos que balançariam o mundo do beisebol.

E se os Indians ganhassem sua primeira World Series em 72 anos?

E se tivermos um rebatedor que consiga terminar o ano com .400 de AVG?

Esses dois eventos não acontecem desde os anos 40, uma temporada anormal poderia ofuscar esses feitos?

Vamos começar pela quebra da maldição de Ricky Colavito.

Podemos pegar como exemplo, a temporada de 1981, que foi dividida em duas metades por causa de uma greve de jogadores que aconteceu em Junho. Nesse ano, os Dodgers foram campeões, porém, não eram nem para estar nas finais. Os Dodgers não tinham o melhor recorde de sua divisão e se aproveitaram de uma reformulação durante a temporada para chegar a final e serem campeões.

Mesmo assim, ninguém considera os Dodgers de 81 campeões ilegítimos.

É claro que o caso dos Indians é diferente. Uma temporada sem torcida, com um modelo de pós-temporada reformulado e uma final em campo neutro, terão que existir asteriscos, terão que haver notas de rodapé sobre esse ano na historia do beisebol. Então talvez fosse melhor para a história do time de Cleveland esperar mais um aninho, para não manchar seu feito histórico com um asterisco do lado.

Claro que todos querem ganhar sempre. Entrevistado pelo The Athletic, Terry Francona, o Manager dos Indians, disse que aceitaria o troféu de campeão de 2020, mesmo com uma temporada mais curta.

Os asteriscos.

É claro que ninguém gosta de asteriscos nos livros de recordes do esporte, é por isso que você não vai achar nenhum asterisco em um livro atual de recordes, nenhum mesmo, nem ligado a time ou a qualquer jogador.

O último asterisco tirado dos livros foi da temporada com 61 home runs de Roger Maris, que na época tinha usado substancias ilícitas.

E nunca mais um asterisco foi botado em um livro de história da liga, mesmo para os outros casos de esteroides malucos que quebraram o jogo de beisebol no final dos anos 90 e inicio dos 2000.

Será que precisaríamos de asteriscos para os feitos dos jogadores para 2020. Entrevistado pelo The Athletic, o estatístico Steve Hirdt disse: “eu acho que saberão que essa temporada foi diferente das outras, acho que seria humilhante, considerando como essa doença se espalhou, reduzirmos tudo a um asterisco. Esse ano será lembrado pelos próximos 100 anos, acho que um asterisco não teria um papel útil”.

Uma coisa que realmente seria útil, seria a volta do beisebol (em condições seguras e com salários justos para os jogadores), então, se essa temporada produzir um campeão no fim desta tortuosa estrada, o quanto que se importariam que essa temporada não foi como a habitual?

Segundo o First Baseman Joey Votto, o time que ganhar esse ano, receberá o crédito completo pela vitória.

Na verdade, para alguns, esse titulo pode significar até mais do que o título de um ano comum. Considerando o que as cidades estão passando e a importância que um time de beisebol tem para a comunidade local, esse título carregaria um significado que não há como explicar.

Nada nesse ano será normal, nós estamos percebendo isso a cada dia. Nossas vidas estão completamente diferentes, vemos isso no nosso dia-a-dia.

Talvez do ponto de vista numérico, esse ano não tenha o mesmo significado. Mas beisebol não é uma ciência nem uma equação matemática, beisebol é feito de pessoas para pessoas, e essas sim sabem o significado que um grande feito nesse ano seria extremamente importante. Amamos o esporte por causa das emoções, não será um asterisco que vai tirar a cor de nosso jogo.


Créditos: Jamie Sabau/Getty Images


Fonte: The Athletic