• Heitor Santos

O que pode significar a demissão em massa dos jogadores de ligas menores.


É comum, para muitas pessoas, que ao pensar em um atleta profissional de beisebol, futebol e outros diversos esportes, imagine uma pessoa com um salário milionário e uma qualidade de vida que a maioria de nós não consegue imaginar.

É claro que existem jogadores que se encaixam nesse padrão, isso não há duvidas. Principalmente os veteranos das grandes ligas, que já fizeram seu nome na história e são recompensados com salários multimilionários. Mas a verdade é que isso representa uma parcela ínfima dos atletas dos esportes de alto desempenho físico.

É preciso entender que o atleta é um ser humano comum e a maioria deles está na luta diária para trazer sustento e alimento pra sua família. Muitos deles dependendo do pagamento daquele dia para poder ter algum sustento, diferente das grandes estrelas que têm seu salario totalmente garantido e que consegue montar uma boa economia.

Enfim, a conversa sobre o pagamento dos jogadores de ligas menores de beisebol precisa existir. Há muitos jogadores que recebem o que seria considerado nível de pobreza nos Estados Unidos, isso somado a jornada exaustiva do atleta de beisebol que passa quase um terço do ano viajando de cá pra lá em ônibus desconfortáveis e em condições precárias.

Com a pandemia dando um baque na economia mundial, a verba dos times aparentou encolher. E o salario dos Minor Leaguers que já era curto, ficou pior.

Muitos jogadores que dependem muito do salario dos times, estavam recebendo 400 dólares por semana, o que é um salario baixíssimo para os padrões estadunidenses.

Então foi anunciado que todos os times da MLB demitirão entre 30 e 50 jogadores.

Em um ano normal, um time demite no máximo 12 atletas.

Mas ok, o que essas demissões podem gerar? E o que isso significa e nos mostra para o futuro do esporte?

O primeiro ponto que as demissões geram, é uma forma de desconfiança na relação entre dono e jogador. Essa relação já anda conturbada e com sérios problemas. Essa desconfiança pode atrapalhar desde o surgimento de novos talentos no futuro como a desistência de muitos talentos no presente. Muitos atletas demitidos provavelmente não tentarão a sorte no beisebol profissional novamente, o que pode ser uma perda de possíveis talentos muito grande.

A perda de talento talvez seja maior efeito desta (não) temporada, com um Draft encurtado, uma perda de jogadores de liga menor, a possibilidade de menos jovens atletas decidirem por seguir carreira no beisebol.

Isso também nos diz muito sobre o presente e futuro do esporte como um todo.

Diferente da NFL ou NBA, que o jogador recém-recrutado já recebe um salario interessante e, em maioria dos casos, tem seu espaço no elenco garantido logo de cara, o jogador recém-escolhido no beisebol tem que trilhar um longo caminho com salário baixo e condições ruins de exercer o esporte. Nem sempre o Bônus que o jogador recebe ao ser escolhido compensa os anos de ligas menores.

Por isso cada vez mais, os atletas que tem a opção entre beisebol profissional e outro esporte, acabam ficando com o outro. Faz mais sentido financeiramente pros jogadores.

Antes fossem apenas demissões que estivessem matando o beisebol local das Minors. Rob Manfred, comissário da liga já está ameaçando o futuro dos times de desenvolvimento dos jogadores. Existe todo um plano vindo dos escritórios da MLB para diminuir, enxugar, suprimir e, de certa forma, acabar com a MiLB.

Eu sei que dizer que o beisebol está morrendo é algo sem sentido e muitas vezes até mentiroso. Mas esse pode ser um dos primeiros sinais que estamos passando por uma doença grave no esporte e coisas precisam mudar se quisermos continuar com o passatempo americano firme e forte.

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