• Heitor Santos

O maior obstáculo para a volta da MLB pode não ser o dinheiro ou segurança


Crédito: Orange County Register/SCNG


Há um ano, a MLB fez um esforço significante para priorizar a saúde mental dos jogadores com uma iniciativa que incentivou muitos times a contratarem psicólogos para acompanhar o time e ajudar jogadores e comissão técnica.

Se o beisebol voltar em 2020, essa ajuda será mais necessária do que nunca.

Um documento de 67 páginas foi enviado para a união dos jogadores no dia 15 de maio com detalhes de protocolo e medidas de segurança para uma possível volta do esporte. O documento proibia coisas simples, como dividir refeições e encontros de jogadores em lugares fechados. Mas talvez, o maior obstáculo para o esporte voltar não tenha nada a ver com o físico dos jogadores ou seu contracheque. Isso vai além dos bilhões de dólares em jogo em manter o Covid contido durante a temporada de beisebol. Além dos riscos da saúde física, existem riscos gigantescos da saúde mental e emocional dos esportistas.

“O Covid está causando traumas, estresse pós-traumático, solidão e isolamento, estamos lidando com vários jogadores que se sentem ansiosos e depressivos” Disse uma psicóloga que lida com atletas da MLB. “Nós sabemos que a ‘pandemia da saúde mental’ ia ser parte disso e já estamos vendo isso”

Vamos supor que os jogadores aceitaram um acordo e pessoas estão viajando por todo o país para o Spring Training. Devem levar suas famílias? Suas esposas grávidas e crianças pequenas? Será que não devem visitar seus pais, avós ou ninguém que seja do grupo de risco até a temporada acabar? Isso parece difícil o suficiente, somado a pressão que um esportista profissional já sofre diariamente.

Eireann, esposa do Closer dos Nationals Sean Doolittle, tem um problema respiratório que bota ela no grupo de risco. Chris Sale e Mike Trout já falaram sobre problemas similares de família. Essas decisões importantes pressionam muito o atleta para escolher a “certa”.

“Que cenário vai se apresentar com uma culpa gigantesca e uma responsabilidade por contrair a doença e acabar transmitindo para alguém? Esse é o cenário que as pessoas que cuidam da saúde mental estão antecipando” Disse o Psicólogo esportivo e consultor do Tampa Bay Rays Vince Lodato.

“Especialmente no Beisebol para ser apto a se preparar pra isso, a probabilidade existe, como você ajuda o trabalho individual do atleta com isso acontecendo. Pior cenário ‘Ok, Baseball, você tinha que ter parado, meu filho de um ano morreu. ’ Esses são os extremos que podemos ver no decorrer de uma temporada”.

Os Rays estão adotando um plano emergencial de saúde mental. Mas como todo mundo na liga, eles estão dando um palpite, um chute. Não tem como planejar nada concreto agora. A pandemia segue aí e continua evoluindo.

O time de Tampa é uma organização que abraçou o componente mental, com uma equipe de psicólogos trabalhando junto com Lodato.

Algumas equipes, como o Washington empregam apenas um trabalhador da área da saúde mental para o nível profissional. Isso é suficiente para a cláusula da ultima CBA, que estipula que cada time deve prover jogadores com acesso a um psicólogo esportivo em espaço privado e com garantia de confidencialidade.

Como parte da iniciativa de saúde mental pela MLB, os jogadores fazem ligações semanais para os psicólogos do time.

Nós não sabemos se vamos ter uma temporada em 2020, mas não podemos aceitar que haja uma sem a devida segurança física e mental para os jogadores. A vida e bem-estar valem mais que o esporte, isso não deveria ser uma discussão. É claro que nenhum jogador quer perder a temporada. Mas do jeito que estamos caminhando, podemos ficar sem um ano do passatempo americano.

Fonte: The Athletic.