• Thiago Mattos

O Drama de Nova Iorque

Os motivos para as duas franquias do maior mercado consumidor da NFL se encontrarem no fundo do poço.


Se você acompanha NFL a pelo menos 3 anos, já deu pra perceber que os times de New York estão em uma fase terrível, então fizemos esse texto com o intuito de explicar alguns motivos para New York Giants e New York Jets estarem vivendo esse momento complicado.

Adam Gase (Head Coach dos Jets)

Quando se pede para qualquer pessoa apontar qual o grande problema dos Jets, é quase que unanimidade que a primeira pessoa que nos vem à mente e que se aponte o dedo, é para o atual HC Adam Gase. E obviamente, Gase tem sim uma boa parcela de culpa nesse processo de “deterioração” da franquia, porém a culpa dele se limita ao desempenho da equipe em campo, em decisões contestadas tomadas durante as partidas e na relação com os atletas, como por exemplo na briga de egos que resultou em um desconforto do principal nome da equipe, o Safety Jamal Adams (hoje peça fundamental na defesa dos Seahawks), na má utilização do talentoso prospecto Sam Darnold, e de outros jogadores jovens com potencial.

Chris Johnson (CEO dos Jets)

Porém é muito simplista pensar que um trabalho ruim (e muito ruim) de um treinador seja a base de problemas de uma franquia toda, Gase na verdade é só a ponta de um iceberg muito maior, que começa lá em cima, com a família Johnson, que muitas vezes se perdem entre administrar a franquia como uma empresa e administrar a franquia como uma equipe de futebol americano, duas coisas que por mais que devam caminhar lado a lado em harmonia, exigem um conhecimento e capacitação específicos para cada posto.

A contratação de Joe Douglas (ex-vice presidente de gestão de jogadores do Philadelphia Eagles) para GM, trouxe boas expectativas para os Jets, Douglas se mostrou ser competente para o cargo, fazendo contratações pontuais na offseason de 2019, como Le’Veon Bell e CJ Mosley e fazendo bons drafts.

Joe Douglas (Atual GM dos Jets)

No entanto o processo de escolha da comissão técnica teve os seus valores invertidos, uma vez que após se sentar com diversos candidatos ao posto de HC, um deles inclusive Kliff Kingsburry (atualmente no Arizona Cardinals), a decisão para a contratação de Adam Gase foi tomada primordialmente por Chris Johnson (CEO da franquia) e não por Joe Douglas, que teoricamente deveria tomar conta das tomadas de decisões no football. E essa “intromissão” se mantém, uma vez que tanto Gase quanto Douglas se reportam diretamente com Johnson, um cenário onde HC e GM da franquia são fantoches de um CEO que até o momento não demonstra nenhum tipo de capacidade de tomar decisões desse tipo.

Os torcedores dos Jets se apegam na esperança de que nos próximos anos Joe Douglas ganhe mais autonomia para tomar as decisões de maneira técnica, e que os Johnson se limitem a comandar o “Business” da franquia.

Se no lado verde da cidade a situação é ruim, no lado azul isso não é nada diferente, o New York Giants vem acumulando fracassos desde que venceu o Super Bowl em 2012, na temporada 2016 após uma boa campanha o time até deu um sinal de que poderia ser competitivo, e buscar mais um título com um Eli Manning que já não era mais o mesmo, porém a derrota para os Packers no Wild Card frustrou os planos dos Nova Iorquinos.

No ano seguinte os Giants tiveram uma das piores campanhas da história, um recorde de 3-13 que resultou nas demissões do GM Jerry Reece e do HC Ben McAdoo. Para esses dois cargos foram contratados Dave Gettleman e Pat Shurmur respectivamente.

Dave Gettleman (GM dos Giants)

A equipe iniciou 2018 com uma alta expectativa, por conta das mudanças feitas na diretoria e na comissão técnica, e principalmente pelo fato de que no papel era uma equipe que parecia ser competitiva. Mas foi logo na offseason daquele ano que os primeiros sinais de que o futuro não seria tão brilhante como se imagina começaram aparecer.


Gettleman deu ao OL Nate Solder um contrato absurdo, o jogador que pode ter sua passagem por Nova Iorque considerada um desastre, nunca fez valer o valor de seu salário, e além de prejudicar esportivamente, seus vencimentos também foram prejudiciais a franquia como um todo, os Giants terminaram esse ano com 5-11.

Em 2019 Gettleman promoveu mais movimentações muito questionáveis, trocando o então melhor jogador do time, o WR Odell Beckham Jr, e também o melhor nome da defesa, o SS Landon Collins. Assinou um contrato com o recebedor Golden Tate que foi suspenso pelo uso de substância ilegais, escolheu na primeira rodada do draft o CB Deandre Baker que veio a ser preso por roubo a mão armada agora em 2020, e selecionou dentro do top 10 o QB Daniel Jones, escolha que foi vaiada pela torcida que acompanhava o Draft no Metlife Stadium. Jones é até um QB com um bom teto de evolução, porém nada lhe foi dado para auxilia-lo em seu crescimento, e é provável que acabe tendo sua carreira em Nova Iorque indo pelo buraco. Os Giants terminaram 2019 com 4-12.

QB Daniel Jones (6ª escolha geral do Draft de 2019)
Joe Judge (HC dos Giants)

Para 2020 outra mudança no coach staff da equipe, Shurmur deu lugar a Joe Judge (Escolha controversa, pela falta de experiência como HC e por ter outros nomes no mercado). Nesse momento em que o texto é escrito, a equipe se encontra 0-4 na temporada, e o GM Dave Gettleman está com a corda no pescoço.

Como dito no caso dos Jets, o problema vai além da comissão técnica e do General Manager, a família Mara tem uma grande parcela de culpa nesse processo destrutivo em Nova Iorque. Uma vez que Gettleman já tinha problemas de relacionamento com os atletas quando estava nos Panthers, e mesmo assim foi contratado.

John Mara (CEO dos Giants)

John Mara demitiu o HC Pat Shurmur mas não demitiu o Dave Gettleman, mesmo após a incompetência do GM ter sido mais que comprovada. Agora está na hora de se pensar em uma nova dupla, uma vez que Gettleman muito provavelmente será demitido ao fim dessa temporada.






Ainda há esperanças para os dois times, além de terem talentos jovens no elenco e muito provavelmente ambos terão a adição de mais um dentro do top 5 do Draft em 2021, essas são equipes do maior mercado consumidor da NFL, isso é sem dúvida é um tremendo atrativo para qualquer jogador, e pode acelerar o processo de reconstrução franquias, desde que se note mudanças na maneira em que essas equipes são conduzidas, dentro e fora de campo.

Esse texto foi produzido com a ajuda das opiniões de torcedores, o @JetsBR12 e o @OdellBeckhamBR. Você pode ver esse conteúdo também no Twitter @EntreTackles.