Por que a revisão de nome nos Redskins é necessária?

O Washington Redskins nasceu em 1932, sendo chamado de Boston Braves e Boston Redskins até adquirir o nome atual em 1937.


Hoje (3), o time anunciou oficialmente que o processo para a mudança do nome será iniciado. Dan Snyder emitiu um comunicado à imprensa dizendo que esse processo já acontecia há algum tempo internamente, mas que agora decidiram formalizar a decisão.


A discussão sobre o nome do time não é atual, acontece há muito tempo, porém, só houve atitude quando dois grandes patrocinadores, Nike e FedEx, resolveram intervir, solicitando a mudança. A Nike retirou do seu site todos os produtos com o nome do time, e a FedEx, que tem o naming rights do estádio, também solicitou a mudança no nome. O processo se iniciou porque a FedEx é o patrocínio que mais investe dinheiro no time, além disso, Frederick Smith – CEO da empresa – é sócio minoritário dos Redskins. Por isso a pressão da FedEx contou tanto para iniciar o processo de mudança.


O nome ostenta uma conotação racista contra os indígenas americanos. O estereótipo racista e colonial foi usado por anos como algo normal.


Vale lembrar que, poucos dias atrás, os Redskins removeram a estátua de George Preston Marshall, ex-proprietário e um dos fundadores do time. Ele cometeu diversos atos racistas durante sua atuação na NFL, tendo certa resistência até mesmo para contratar jogadores negros.


A retirada da estátua foi feita no dia 19 de Junho, data que é comemorado o 'Dia da Liberdade' nos Estados Unidos, o dia da emancipação dos escravos do país. Atualmente, a luta contra o racismo cresce e ganha muita visibilidade, lembramos dos protestos de Colin Kaepernick e o quanto trabalhar essa questão no esporte é importante por ser um espaço que atinge muitas pessoas.


A mudança de nome dos Redskins após a retirada da estátua de George Preston é um pequeno passo para apagar a "marca" racista que o time tem na NFL. Além do termo racista, o indígena é usado como "mascote" e essa mancha não pode mais ter espaço dentro da liga, perpetuando o comportamento racista por mais tempo. O combate a esse tipo de comportamento precisa ser feito dentro do esporte, não importa se muitos consideram que a ação de mudança no nome não tem grandes efeitos em relação ao racismo, o que não pode mais acontecer é um esporte que tem milhões de telespectadores reforçar comportamentos racistas em seu nome e história.

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