• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Lions 21 x 42 Packers: Estamos diante do ataque dos sonhos?




Foi mais uma tarde inesquecível para os torcedores do Green Bay Packers. Desta vez, jogando em Lambeau Field, os comandados de Matt LaFleur não tomaram conhecimento do rival de divisão e anotaram mais 42 pontos, para se firmarem como o melhor ataque da liga, neste momento.


Mas engana-se quem pensa que o jogo foi fácil do começo ao fim.


Para quem conhece a NFC Norte, é sabido que o Detroit Lions gosta de endurecer os jogos contra o Packers, seja dentro ou fora de casa. Portanto, geralmente as vitórias são suadas.


E ontem parecia que seria assim: com um começo avassalador, sendo regido por bons passes de Matthew Stafford e corridas consistentes de Kerryon Johnson, os Lions chegaram a abrir 14-3 no placar e davam mostras de que venderiam caro uma eventual derrota.


De fato, o primeiro quarto dos cheeseheads foi horroroso. Ofensivamente, o time foi improdutivo, sendo presa fácil para a secundária adversária, além de não conseguir implantar o jogo corrido de forma eficiente. Defensivamente então, nem se diga. Corpo de linebackers lento, falta de pressão no quarterback e o já antigo problema em brecar os running backs do oponente, fatores estes que indicavam a tendência de uma tarde longa em Wisconsin.


Apesar da inconstância tão conhecida, do segundo quarto em diante o Packers começou a se encontrar, com o ataque voltando a produzir com novas chamadas e a defesa parando de ceder pontos. Ainda assim, no intervalo, o placar era de apenas 17-14 para os donos da casa, que ainda levaram sorte com um field goal desperdiçado por Matt Prater, que poderia igualar a partida no último lance do primeiro tempo.


Mas foi no segundo tempo que tudo mudou. Com a mesma postura avassaladora demonstrada na semana 1 contra os Vikings, Green Bay mostrou toda sua agressividade e potencial ofensivo, marcando, logo na primeira posse do terceiro quarto, um touchdown impressionante, com Aaron Jones costurando a defesa adversária e correndo para mais de 70 jardas.


Se ali começava o show de um Aaron, o outro também não ficou atrás. Rodgers passou a fazer das suas, valendo-se muito do play action e abusando de seu vasto repertório de free plays, conectando lindos passes para Adams, Scantling, Lazard, Tonyan e o próprio Jones, que em muitos snaps fez as vezes de recebdor, e não decepcionou, muito pelo contrário! Foi assim que anotou outro touchdown no jogo.


Se no primeiro jogo, os running backs foram pouco explorados, na tarde do dia 20 foi o contrário. Jones correu para mais de 230 jardas, Williams quando acionado conquistou firstdowns, e Dillon com seu poderio físico, arrancou jardas importantes na marra. Com as lesões precoces de Saquon Barkley, do Giants, e Christian McCaffrey, dos Panthers, o caminho pode ficar livre para o camisa 33 se consolidar como o melhor da posição nessa temporada, embora, para muitos, já o era desde a temporada passada.


Mais uma vez, Rodgers teve tempo para pensar as jogadas e se mostrou à vontade distribuindo bem o jogo e permitindo recepções para diversos jogadores. A confiança nos WR's mais jovens também tem se mostrado cada vez maior e já está rendendo frutos.


Defensivamente, após o susto inicial, Mike Pettine botou ordem na casa, ligou o pessoal e trouxe mais atenção e poder de fogo para pressionar Detroit, o que rendeu sacks e uma pick six de Chandon Sullivan. Mas ainda pode melhorar bastante. A partida contra os Saints será um belo teste.


Enfim, como dito acima, os Packers ostentam hoje o melhor ataque da liga, com uma média de 42,5 pontos por jogo. É cedo para se empolgar e construir um setor ofensivo dos sonhos? Os adversários contribuíram para isso? Nem um, nem outro.


Nas duas vitórias, vi mais mérito de Green Bay do que demérito dos adversários, que tem defesas respeitáveis (principalmente a do Vikings). Vi também um time muito bem entrosado e focado, com todos muito dedicados a serem armas de Aaron Rodgers. O clima é muito bom. Reverências também à LaFleur, agora 8-0 dentro da divisão, e que tem tudo para construir uma longa e bela história por lá.


Só que para empolgar ainda é cedo, ainda virão pedreiras pela frente, instabilidades, dificuldades. Mas se vitórias trazem confiança, o 2-0 conquistado motivará ainda mais a equipe para seguir produzindo em alto nível.


O momento é de calma. Não temos peças como Jordy Nelson, Randall Cobb, Greg Jennings ou Donald Driver no elenco. Mas a junção da experiência com a juventude tem criado uma identidade muito positiva e pode sim trazer resultados à médio e longo prazo.


Em suma, para quem reclamava da falta de opções ofensivas, principalmente após o draft, só resta manter o silêncio e comemorar. As perspectivas são muito boas!


#GoPackGo