• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Green Bay Packers 2020: A temporada da juventude.

Após uma temporada positivamente surpreendente, que levou a equipe à disputa da final da NFC, o Green Bay Packers adotou uma postura diferente no mercado, que revolucionou diretamente na forma de pensar e contratar demonstradas pela diretoria.

Para quem vê de longe, uma franquia que ficou entre as quatro melhores ao término da última temporada, não precisaria de grandes reforços e deveria apostar na base já consolidada para buscar novamente seu quinto Superbowl.

No entanto, muitas carências ficaram evidentes, principalmente nos jogos decisivos: a ausência de recebedores para dividir a responsabilidade com Davante Adams, bem como de um linebacker de impacto para frear o jogo corrido dos adversários, além de buracos em nossa secundária, que deixava a desejar em alguns momentos, principalmente quando lidava com grandes wide receivers.

Dessa forma, a boa campanha não encobriu falhas que mereciam ser urgentemente corrigidas.

E assim fomos com enorme ansiedade e expectativa para o Draft deste ano, sonhando com nomes de relevo para as posições que necessitávamos.

E foi assim que caímos do cavalo.

Enquanto a grande maioria dos torcedores (aos quais me incluo), aguardava a escolha de um wide receiver, um linebacker ou até um reforço para a linha ofensiva, o Packers, em sua primeira aparição, promoveu uma troca com o Miami Dolphins, subindo de posição, para draftar o quarterback Jordan Love, vindo de Utah State.

Foi um grande baque. Será que a carência da equipe passava pela posição do genial Aaron Rodgers? Como este reagiria a tudo isso? Mas as surpresas não pararam por aí.

Na sequência, foi escolhido o running back AJ Dillon, uma potencial opção de quarta rodada em diante, além do desconhecido tight end Josiah Deguara.

E assim a equipe teve mais seis escolhas sem grande relevância, deixando de direcionar seu foco para a única posição efetivamente carente: a de recebedor. E isso impactou ainda mais os torcedores e o mundo da NFL.

Após diversos questionamentos e debates a esse respeito, cheguei a algumas conclusões que passo a expor:

De fato, o Packers já está pensando no futuro e na juventude do elenco. Rodgers já tem 36 anos, disse que deseja jogar aos 40, mas não sabemos se será pelos lados de Green Bay. Love vem para ser o sucessor e provar que tem talento para tanto.

O jogo corrido implantado com sucesso pelo HC Matt LaFleur é forte, e a presença de Dillon pode agregar com a utilização de um famoso "quebra tackles".

Na mesma esteira do treinador do San Francisco 49ers, Kyle Shanahan, LaFleur, seu discípulo, preza pelo uso dos tight ends, e o calouro Deguara chega com a versatilidade que o técnico gosta, podendo ser utilizado inclusive como fullback, para tentar desafogar um pouco mais nossos recebedores.

Os demais reforços, voltados para a defesa e para a linha ofensiva, visam, principalmente, rejuvenescer o elenco e trazer um desempenho mais atlético e dinâmico.

A diretoria do Packers aposta na força do elenco que já estava lá. E ela está na juventude. Allen Lazard tem tudo para ter uma temporada brilhante como WR2, descarregando os ombros de Adams. Aaron Jones vem em grande fase e se consolidou como um dos melhores running backs da liga. Jace Sternberger será nosso TE1, com a promessa de grande utilização, até como slot, eventualmente. Jaire Alexander e Darnell Savage têm se consolidado em nossa secundária. Rashan Gary pode crescer e se destacar ao lado dos Smith Brothers, se as lesões não o atrapalharem.

A mescla entre experientes e jovens é vital para qualquer grupo, e nesse ponto penso que não estão errados. A questão é manter o mesmo nível de atuação demonstrado e buscar ir além, caso contrário, um retrocesso na campanha 20/21 pode pesar sobre o nosso General Manager.

Enfim, de tudo isso, há um ponto em comum. Talento e juventude. É aí que está a aposta. Não dá para dizer se dará resultado a curto prazo e se os calouros recém draftados já terão algum impacto relevante e decisivo no elenco, mas o recado da turma de Wisconsin é claro: a garotada que está aqui dentro vai resolver! Quando? Não sabemos. Resta esperar o resultado. Mas estamos ressabiados...


Go Pack Go!