• Gabriel de Campos

Como os Bengals devem lidar com a temporada 2020?


Após a escolha do quarterback mais badalado do draft, surgiram grandes expectativas em cima da equipe de Cincinnati. Será que os Bengals brigarão por um título de divisão?

Posso te adiantar que a resposta para essa dúvida é, não.

Apesar de terem feito um bom draft, ainda devemos ter em mente que o elenco do Cincinnati Bengals está em construção. Mesmo trazendo um bom quarterback será necessário adaptar todo o time e ainda buscar mais reforços.


Joe Burrow é a solução?

Burrow não jogou penas em LSU, ele também jogou na universidade de Ohio State. Participando apenas de 10 partidas em dois anos.

Sua primeira temporada em Louisiana foi muito regular, uma porcentagem de acerto nos passes de 57.8%, 2894 jardas e 16 touchdowns. Já a sua temporada de 2019 foi surreal. Uma porcentagem de acerto nos passes de 76.3%, 5671 jardas, 60 touchdowns e uma média de jardas por tentativa de 12.5%. Mudou da água para o vinho.

Tenho medo de Joe Burrow não se adaptar à NFL e voltar ao nível que era em sua primeira temporada em LSU. Sendo mais pessimista, ele pode voltar ao nível de quando estava em Ohio State. Infelizmente não é algo incomum.

JaMarcus Russell é um exemplo de decepção de draft.

Russell, coincidentemente, jogou na universidade de LSU e foi a primeira escolha geral do draft de 2007 pelo Oakland Raiders (hoje Las Vegas Raiders). Russell jogou apenas duas temporadas na NFL.

Como titular venceu sete partidas e perdeu dezoito. O mesmo teve mais interceptações do que touchdowns em sua carreira na NFL (18 tds - 23 int).

Tenho que acentuar o péssimo comportamento de JaMarcus Russell no college e na NFL. Isso contribuiu bastante para a aposentadoria precoce do esporte.

Não quero compará-lo com Burrow, afinal Burrow foi, na visão de muitos, o maior quarterback da história do college. Quero dizer que sempre há uma possibilidade de o jogador não dar certo (mesmo que eu não acredite que seja o caso de Joe Burrow). Me incomodo com pessoas que já colocam Joe Burrow na elite da NFL, o elenco dos Bengals ainda deve ser reforçado e Burrow deve se adaptar à liga.


Visão geral

Falando sobre os Bengals como um todo, digo que gostei muito do draft feito pela equipe. A franchise tag em AJ Green também foi um movimento que me agradou.

Ouvi analistas e fãs de NFL dizendo que os Bengals deveriam assinar um contrato de longa duração com o recebedor. Eu vejo o contrário.

Green tem um grande histórico de lesões e uma idade mais avançada, 32 anos. Um contrato de quatro anos é repleto de incertezas, caso o jogador sofra com outra lesão, os Bengals estariam gastando dinheiro à toa com o mesmo. Green ainda é um dos melhores recebedores da liga; em 2011 AJ Green e Julio Jones disputavam para ver quem seria o melhor recebedor do draft. Hoje Julio Jones é um forte candidato para entrar no Hall da frama da NFL. Só para você ter uma noção da grandeza de AJ Green no passado. Diferentemente de JaMarcus Russell, Green se manteve no topo por muitos anos.

A franchise tag foi assinada pois com um ano de contrato, dá tempo de Green passar seus conhecimentos para todos os calouros da equipe e dá também para os Bengals contratarem um substituto.


Expectativas:

Não vejo os Bengals jogando de forma espetacular na próxima temporada, creio que chegarão a algo em torno de cinco ou seis vitórias. Esta será uma temporada de adaptação para os novos jogadores; será utilizada para encaixar as novas peças e para a comissão técnica ter uma visão mais nítida do que ainda falta para fechar a construção de um bom elenco.

Aquele parágrafo onde cito a possibilidade de Joe Burrow não ser um bom jogador na NFL é o oposto ao que acredito. Vejo Burrow como o melhor quarterback da história do college, apenas trouxe aquela comparação pois não acredito que ele chegará na liga como um quarterback de elite. É necessária a adaptação do jogador no sistema do time, treinos e jogos para um rendimento em alto nível.

Com uma temporada de encaixes e aquisições inteligentes na próxima offseason, o potencial do Cincinnati Bengals se multiplica.


por Gabriel de Campos

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