Colin Kaepernick: da NFL à Netflix


(Todd Kirkland Photography)

Colin nasceu em 1987, em Wisconsin, porém o sobrenome Kaepernick veio após o nascimento, Colin foi adotado por um casal branco que sempre foram abertos em relação a adoção e empenhados em deixar o filho o mais confortável possível na família.





Sua vivência com o futebol americano começou no colégio, mas se engana quem acha que Kaepernick foi apenas quarterback, ele já chegou a atuar como kicker e também na linha defensiva. Colin sempre levou muito jeito com os esportes, o que o levou a receber muitas bolsas para jogar basebol, ainda mais porque eles achavam que Kaepernick não poderia ser um bom QB e ser mais suscetível a lesões.


A oportunidade que ele teve foi na Universidade de Nevada e no início não jogava como quarterback, mas sim como safety. Só teve sua oportunidade na sua posição atual quando o QB titular do time se lesionou e Kaepernick ocupou seu lugar, fazendo um ótimo jogo. E foi isso que garantiu sua posição no time até o fim da carreira universitária. No primeiro ano, o time não foi tão bem, mas Colin mostrou serviço, porém, no seu segundo ano começou a se destacar mais, marcando 39 touchdowns ao todo. No final, Kaepernick entrou para lista de recordes da divisão universitária, passando para mais de 10.000 jardas e correndo mais de 4000.

Selecionado na segunda rodada do Draft de 2011 pelo San Francisco 49ers, Kaepernick iniciou sua carreira no segundo ano na liga após Alex Smith, quarterback titular do time, se lesionar. Ele levou a franquia de San Francisco aos playoffs na temporada de 2012 e chegou até o Super Bowl, mas acabaram perdendo para os Ravens. Esse Super Bowl fez Colin entrar para uma lista bem específica, a de quarterbacks que foram ao jogo final do campeonato em seu primeiro ano como titular.


Na temporada seguinte com Alex Smith já no Chiefs, Kaepernick manteve a titularidade e apesar do time ter caído no jogo de playoffs contra o rival de divisão, Seattle Seahawks, ele foi um bom QB para o time. Porém, nessa temporada, seu rendimento começou a cair e não melhorou muito na seguinte, ele teve um pequeno aumento no aproveitamento e no número de jardas, porém a campanha 8-8 e a não conquista dos playoffs tornaram Kaepernick alvo de críticas.


O último jogo que o quarterback jogou foi em 2015, na semana oito, contra o Rams. As coisas não iam bem com o novo treinador, Jim Tomsula, eles se desentendiam e em campo o rendimento não fluía. Ele não hesitou em colocar Kaepernick como reserva e para ajudar, naquela temporada horrível, Colin lesionou seu ombro.


Foto: LUSA/JOHN G MABANGLO

Em 2016, após ter passado por cirurgia, ele continuou no 49ers e na pré temporada deu início a uma onda de protestos. Alegando que os Estados Unidos oprime pessoas negras, Colin aproveitou da sua visibilidade para se ajoelhar durante o hino nacional antes do jogo se iniciar, fazendo com que outros jogadores se juntassem à causa.


Ainda em 2016, Colin se recuperava da lesão e só voltou a jogar na semana seis, em um jogo caótico, com derrota de 45 a 16 para o Buffalo Bills. Ao final da temporada, com 14 derrotas, os boatos de que Kaepernick seria cortado eram grandes, porém, ele quem decidiu cortar o vínculo com o time.


Kaepernick teve alguns recordes na liga, como o de jardas corridas em um único jogo por um QB, totalizando 181. No total de seus 58 jogos como titular ele correu para 2.300 jardas e 13 touchdowns, sempre mostrando a boa mobilidade que tinha. Em sua carreira ele teve 28 vitórias e 30 derrotas, totalizando 12.271 jardas, 72 touchdowns e 30 interceptações.


Os protestos continuaram no ano seguinte e Colin deu início a um processo contra os donos dos times da liga, alegando boicote, uma organização deles para não contratá-lo. Roger Goodell também foi citado. Somente em 2019 ele teve a oportunidade de organizar training camps e mostrar às equipes que poderia continuar fazendo seu trabalho, mas até hoje Colin não recebeu nenhuma proposta.


Em junho deste ano a Netflix anunciou que irá transformar a vida de Kaepernick em série. ‘Colin in Black and White’ terá seis episódios e vai abordar sua adolescência e as experiências que o fizeram se tornar ativista. Ava DuVernay, que irá dirigir a série, declarou que “Com o seu ato de protesto, Colin Kaepernick iniciou uma conversa nacional sobre raça e justiça, com consequências de longo-alcance para o futebol, para a cultura e para ele mesmo, pessoalmente,” afirmou DuVernay. “A história de Colin tem muito a dizer sobre identidade, esportes e o espírito duradouro de protesto e resiliência. Eu não poderia estar mais feliz por contar esta história com a equipe da Netflix.


Ainda sem data de estréia e trailer, a série, com certeza, vai aumentar a popularidade do jogador. Além disso, Roger Goodell pareceu voltar atrás nas suas declarações e publicamente disse que encoraja os times a contratarem Kaepernick.


Qual será o futuro do quarterback de 32 anos?