• Gabriel Amaral (Empacotador Pistola)

Bucs 31x26 Packers: Green Bay virou o time do quase e que falha em grandes jogos.



A Conferência Nacional , mais uma vez, escapou entre os dedos do Green Bay Packers.


A derrota para o Tampa Bay Buccaneers, por 31-26, foi um balde de água fria na torcida que nunca esteve tanto na expectativa do quinto anel como desta vez.


Os presságios eram bons. Os Packers vinham se consolidando coletivamente, basicamente em todas as unidades. Batendo recordes. Fazendo grandes jogos. Com o MVP da da temporada cada vez mais à vontade.


E ainda, para os supersticiosos, seria a primeira final de conferência de Aaron Rodgers jogando em Lambeau Field, e poucos imaginavam que ele deixaria escapar esse grande chance, logo no auge de seus 37 anos de idade.


Não foi o que se viu no final da gelada noite de um calado estádio. O que se ouvia era a vibração dos vencedores e o silêncio ensurdecedor de dor dos cheeseheads, que ficaram no quase outra vez.


Não se pode brincar com Tom Brady. A frase parece clichê, mas retrata uma realidade fiel. O camisa 12 dos Bucs não se mudou para a Flórida à passeio. Sabia que tinha "lenha" para render e ganhar muito mais. Tampa então se moldou à ele, e estruturou sua equipe para se tornar competitiva e novamente protagonista dentro da NFL.


Os times de Brady são traiçoeiros e crescem no momento certo. Se por um lado, Green Bay foi avassalador na temporada regular, Tampa não fez nada de muito especial, além de conseguir uma vaga para o wildcard, tendo perdido jogos inimagináveis, como contra o Chicago Bears, e decidiu sua vida nos playoffs sempre jogando fora de seus domínios.


Mas, parafraseando um certo Ministro, na hora H e no dia D, Tampa cresceu, e os Packers ficaram estagnados no tempo, sem aquele algo a mais para conseguir o passo faltante para o Superbowl LV.


Por isso, a equipe green and gold se tornou sinônimo do quase, inflando as expectativas de seus adeptos ao extremo durante toda a season, e estourando-as de maneira decepcionante na hora da decisão.


O grande jogo dos Packers não foi contra os Rams. Era ontem. E a cota de erros atingiu um patamar inaceitável para esta fase da competição.


E nem se diga que o adversário não tenha oferecido inúmeras chances. Quem poderia imaginar que Tom Brady lançaria três interceptações e ainda sairia de campo vencedor?


Foi possível. Porque Green Bay não soube capitalizar tais "presentes" do adversário, isto é, não converteu estas oportunidades em pontos. E tomou decisões erradas. E inacreditáveis.


Aaron Rodgers teve caminho livre para anotar o touchdown da virada e não correu para a endzone, inexplicavelmente.


Matt LaFleur, extremamente conservador e covarde, não arriscou uma quarta descida para uma jarda, faltando dois minutos para o fim de jogo, apostando num mísero field goal e na recuperação defensiva para ainda ter algum tempo visando uma virada, algo que foi completamente oposto ao desejo de Rodgers em campo.


A ousadia que faltou à LaFleur, sobrou para Bruce Arians e Tom Brady, que não satisfeitos em irem para o intervalo com a vantagem de 14-10, tampouco de 17-10, arriscaram a quarta descida e anotaram mais sete pontos no placar, partindo para os vestiários com uma vitória encaminhada por 21-10.


O cenário do primeiro tempo parecia o reprise do confronto da semana 6 em Tampa. Muita pressão para cima de Aaron Rodgers, turnovers forçados e um ataque completamente dominado pela defesa agressiva de Todd Bowles. Naquele momento, muitos já haviam jogado a toalha.


A situação ainda piorou no início do segundo tempo, após o fumble sofrido por Aaron Jones, capitalizado pelos Buccaneers, resultando num 28-10 praticamente irrecuperável. Mas havia um sopro de vida no caminho, graças a dois touchdowns seguidos, de Adams e Tonyan, reduzindo a diferença para cinco pontos.


No entanto, na reta final de jogo, a defesa de Tampa soube limpar a barra das interceptações de Brady e manter a vantagem que persistiu até os últimos e melancólicos segundos de jogo.


Com uma linha ofensiva absolutamente dominada pelo pass rush dos Bucs, e saudosa de David Bakhtiari, ficou impossível para Rodgers realizar qualquer milagre.


Com uma secundária em noite de terror, principalmente Kevin King e Chandon Sullivan, Tom Brady abusava do play action em jogadas de profundidade. E não sofreu qualquer tipo de pressão. Seus turnovers foram frutos de puro excesso de confiança em seus recebedores e descrença na defesa de Mike Pettine.


Pettine, aliás, que está com os dias contados, assim como Aaron Jones (em processo difícil de renovação), Corey Linsley, e, por que não, o próprio Aaron Rodgers, sempre cheio de indiretas polêmicas em suas entrevistas após derrotas como a de ontem.


O futuro passa a ser uma incógnita. O que é certo é que nunca Green Bay esteve tão próximo do Superbowl nesta última década. Nunca Rodgers esteve tão pronto. Mas o restante da equipe ainda não está. Falta o algo a mais: experiência, concentração, ousadia e erro zero.


O que mais dói é ver um quarterback se encaminhando para a faixa final da carreira, com tamanho talento, ter apenas um Vince Lombardi em sua galeria. E não sabemos se ele voltará com a mesma motivação para a próxima temporada, se é que voltará.


O único troféu de consolação, será o de MVP.


O sonho de muitos, um Chiefs x Packers no dia 07 de fevereiro, resta adiado outra vez.


Novamente, é hora de juntar os cacos de uma queda sentida e torcer para que o time do "quase" se torne o time do "agora foi".


#GoPackGo

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