• Heitor Santos

Barry Bonds, o homem mais temido da MLB.


É simplesmente impossível escrever um texto imparcial sobre Bonds, todos que gostamos do esporte temos viés quando vamos falar do líder em Home Runs na história.

Não há jogador que divida mais opiniões e tenha uma aura tão polemica como Barry Bonds. Ninguém foi mais amado e odiado na historia recente da liga.

Ou você acha que Bonds foi o jogador mais absurdamente incrível da história, mesmo cometendo alguns erros, sua grandeza e habilidade superam isso e fazem os erros serem irrelevantes. Ou você simplesmente odeia-o e acha que os feitos dele não devem ser diminuídos ou até anulados, pois ele usou esteroides para conseguir tais conquistas. Além de ser um companheiro de time desagradável, a maioria dos seus companheiros de time não suportavam ele. Barry sempre foi pintado como um atleta egoísta por isso.

Mas amando ou odiando-o, a grandeza de Bonds é medida por fatos e eventos.

O maior fato que faz ele ser grande não era sua força descomunal ou seu olho quase biônico que via a zona de strike como se lê um livro.

O que fazia Bonds ser o maior jogador dos anos 90 e anos 2000 é o medo que todos sentiam dele. Barry fazia os arremessadores duvidarem de sua habilidade, fazia os arremessadores desistirem de duelar contra Bonds antes de pelo menos tentar.

O momento que mais expressa isso aconteceu em 28 de maio de 1998.

Era a parte baixa a nona entrada, os Giants perdiam por 2, as bases estavam lotadas e lá vinha ele, o homem mais assustador da MLB.

Bonds tinha, na teoria, 30% de chances de empatar o jogo e algo perto de 12% de virar o jogo e conseguir um Walk-off.

Se ele não conseguisse virar, na sequencia, o jogador Brent Mayne viria ao bastão. E suas chances de virar seriam perto dos 20%.

E então, os Diamondbacks fazem algo que não tinha sido visto em pelo menos 60 anos.

Eles andam Barry Bonds intencionalmente. Eles sentem medo de Bonds. Eles não querem arriscar e encarar o jogador mais temido da liga. Eles se rendem ao Slugger.

Não há nenhum momento que sintetize melhor Barry.

Essa é sua andada intencional mais famosa dentre as 688 totais de sua carreira.

Botando em comparação, o segundo jogador com mais IBB, é Albert Pujols, com 311.

Se somarmos o segundo e o terceiro jogador com mais Walks intencionais, ainda faltariam 79 pra igualar Barry.

Esse é o número mais incrível da carreira dele, esse é, definitivamente, o recorde que mostra como o medo é a maior arma do Beisebol.

O jogador do Giants não era apenas bom, ele era um gênio. Ele quebrou o jogo, ele moldou o esporte para ele.

Barry nasceu para o baseball. Filho do jogador Bobby Bonds, um dos grandes outfielders da história, Bonds teve contato com o esporte desde muito pequeno.

O padrinho de Bonds também não era um jogador muito desconhecido, talvez você já tenha ouvido falar de Willie Mays, que é considerado por muitos o maior jogador de todos os tempos, ou pelo menos o jogador mais completo da história da MLB.

Bonds errou, como muitos jogadores da época, mas apenas um fez o impossível.

Bonds fez uso de substancias de melhoramento de desempenho, como vários da época. Mas se fosse apenas isso, não existiria apenas um Barry.

Não permitir Bonds no Hall da Fama é uma ofensa à história do baseball. Bonds é a cara de duas décadas. Bonds é o jogador de uma geração.

Sem asteriscos, apenas Barry. Ele é a história, uma figura quase mitológica. Renegar e boicotar só faz o esporte mais pobre.


Créditos: Eric Risberg/Associated Press

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