• Maria Clara Marin

Assédio sexual e abuso verbal em Washington

No dia 13 de julho o Washington Redskins anunciou, oficialmente, que iria aposentar seu nome e logo. Entretando, no dia seguinte, polêmicas maiores pareceram começar a surgir e a notícia bombástica estaria sendo segurada pelos jornalistas.


Na quinta-feira (16), o Washington Post divulgou que 15 mulheres, que trabalharam no time entre 2005 e 2019, acusaram diversos funcionários da franquia de assédio sexual e verbal.


Há quatro dias o Redskins demitiu Alex Santos e Richard Mann II, dois nomes que estão envolvidos nas acusações, juntamente à Mitch Gershman, Larry Michael e Dennis Greene. Por várias vezes estes homens assediaram e agrediram verbalmente as funcionárias do time. O nome de Alex Santos não é citado somente pelas funcionárias, mas também por duas jornalistas, Rhiannon Walker e Nora Princiotti, que denunciaram o assédio sofrido mais de uma vez.


Na matéria do Washington Post, há a declaração de uma ex-funcionária, Emily Applegate, a única vítima que não quis se manter no anonimato, que diz que Mitch Gershman fazia "elogios" à roupa que ela usava porque era muito apertada. Outras vítimas também contaram que eram obrigadas a usarem roupas "provocantes" em reuniões com clientes e que constantemente eram alvos de comentários sexuais por membros da diretoria.


O que torna a situação pior é que, aparentemente, tudo isso acontecia com o consentimento de Dan Snyder, que fazia vista grossa para a situação. A franquia não deve continuar nas mãos dele.


Você pode conferir a matéria completa, em inglês, do Washington Post aqui.


Não é só na NFL que acontece, as mulheres em situações gerais precisam lidar com isso nos seus ambientes de trabalho, além da violência sexual, é como se tivéssemos que provar, a todo momento que estamos aptas para fazer aquilo e que sim, podemos exercer o mesmo nível de trabalho de um homem e sermos melhores. Não é segredo que a NFL é um ambiente machista, apesar de termos mulheres fazendo um incrível trabalho nos times e dentro de campo, sabemos que ainda assim são oprimidas e sexualizadas na maioria das vezes, não importa qual seja sua posição de trabalho.


Mulheres de dentro dos departamentos dos times passam por situações corriqueiras como as denunciadas. As que estão em campo são, na maioria das vezes, questionadas sobre seu trabalho e se sabem o que estão fazendo lá. Jornalistas são atacadas com o argumento de que não entendem do assunto e como sempre, assediadas com comentários baixos.


As denúncias que saíram ontem sobre o time trazem o sentimento de que cada vez menos as mulheres irão se manter caladas sobre isso e que talvez isso seja incentivo para que outras também denunciem situações como essa. Infelizmente, mesmo com essa onda de denúncias, ainda é difícil ver mudança na NFL em relação a isso. Muitas outras mulheres que já trabalharam na liga já relataram abusos dessa forma, as ex-funcionárias da franquia de Washington não são as primeiras e infelizmente não serão as últimas.


A franquia deve sim ser tomada das mãos de Daniel Snyder, como a NFL fez com o antigo dono do Panthers. Porque apesar de nenhuma acusação formal contra ele, a forma como ele permitiu que isso acontecesse dentro do time é inadmissível. Afinal, se você fica neutro nesse tipo de situação, você está do lado do agressor.



Nossa equipe preparou um vídeo detalhado sobre esse acontecimento para você conseguir entender tudo que aconteceu!


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