• Nícolas Terzioglo

As Divisões do College Football

O Futebol Americano Universitário é sem dúvidas uma das modalidades esportivas mais populares entre os estadunidenses. Modalidade que atrai, jogo após jogo, dezenas de milhares de entusiastas e amantes do esporte, abarrotando os estádios com as maiores capacidades de espectadores.


(Beaver Stadium/Reprodução Chris Sponagle)

Mas como é feita a divisão das equipes e como funciona tudo isso?


A National Collegiate Athletic Association (NCAA) é uma associação composta por instituições, conferências, organizações e indivíduos, que coordena e organiza a maioria das disputas entre os mais variados programas esportivos oferecidos pelas universidades. A NCAA é a maior e mais importante entidade de seu escopo, porém, não a única.


Vale lembrar que atletas universitários não são pagos, mas as universidades estão autorizadas a fornecer aos jogadores uma compensação não monetária, como bolsas estudantis, hospedagem e material acadêmico.


A NCAA divide a maioria dos seus esportes em três divisões: Divisão I (D1), Divisão II (D2) e Divisão III (D3). As divisões foram estabelecidas para equilibrar o nível de jogo, combinando programas esportivos de tamanhos semelhantes, equilibrando assim a disputa. Cada universidade escolhe em qual divisão deseja jogar, mas deve atender aos padrões de divisão específicos da NCAA. E claro, isto não é diferente para o Futebol Americano.





Division I - Football


Apenas para o Futebol Americano, a Divisão I é dividida em Football Bowl Subdivision (FBS) e Football Championship Subdivision (FCS).


  • Football Bowl Subdivision

O FBS (para os íntimos) é a elite do College Football. Esta elite é composta por 130 programas esportivos de grandes universidades e inclui as principais equipes e Conferências. A temporada regular é composta de 12 jogos ao longo de 15 semanas - por se tratar de atletas amadores, cada equipe possui 3 bye weeks (semanas de folga) no decorrer da temporada.


Se ao final da temporada a equipe possuir 6 ou mais vitórias, ela está elegível para participar de um jogo festivo de 'tira teima' entre as Conferências na pós-temporada, conhecido também como Bowl Season (Temporada de Bowls). Os atletas que atuam na FBS geralmente jogam em grandes estádios com capacidades entre 20.000 e 115.000 pessoas.



As universidades do FBS recrutam a nível nacional e são muito seletivas, com apenas 1 a cada 100 alunos do ensino médio sendo recrutado para jogar. Os jogadores que desejam jogar no nível de Divisão I devem atender os requisitos acadêmicos, o chamado GPA para recrutamento.


Cada programa esportivo é limitado a 85 bolsas de estudos por equipe e cada equipe pode recrutar até 25 jogadores bolsistas por ano - no entanto, cada classe de recrutamento normalmente tem entre 15 e 20 jogadores bolsistas. A NCAA exige que cada bolsa seja concedida a um único indivíduo e não pode ser dividida entre vários jogadores. As equipes têm um elenco entre 100 e 120 jogadores e um staff de 30 a 50 pessoas dedicadas somente ao futebol americano: treinadores, preparadores físicos, equipe médica, equipe de recrutamento, analistas de desempenho, equipe acadêmica e equipe operacional.


A disparidade de orçamento disponibilizado para manutenção dos programas esportivos maiores e os menores é grande. A Universidade do Alabama, por exemplo, investe 57 milhões de dólares a mais por ano do que um dos menores programas dentro do FBS, a Universidade de Louisiana-Monroe. Eles investem US $ 63 milhões e US $ 5,4 milhões por ano, respectivamente.




  • Football Championship Subdivision

A FCS é o segundo nível mais alto do College Football. Essa divisão é composta por 127 instituições, em sua maioria de médio porte. A temporada regular é composta por 11 jogos seguidos de uma chave de playoff de 24 equipes. Os atletas do FCS geralmente atuam em estádios com capacidade entre 5.000 e 25.000 pessoas.



Como o FBS, os programas do FCS são altamente seletivos e apenas cerca de 1 em cada 40 atletas do futebol americano do ensino médio jogará no FCS. Assim como as universidades FBS, as universidades FCS devem seguir os requisitos acadêmicos definidos pela Divisão I. A maioria dos programas esportivos concentra seu recrutamento regionalmente, mas algumas universidades; como as da Ivy League, recrutam nacionalmente.


Os programas são limitados a 63 bolsas e cada equipe pode dar até 30 bolsas estudantis para jogadores entrantes por ano (as ligas Ivy e Pioneer não oferecem bolsas de estudo para atletas). Ao contrário do FBS, as bolsas do FCS podem ser divididas em prêmios parciais, mas a maioria dos jogadores recebe uma bolsa completa.


As equipes têm cerca de 11 treinadores em tempo integral e um elenco com cerca de 80 a 110 jogadores. As equipes normalmente compartilham instalações e outros recursos, como a equipe médica e acadêmica, com o restante do departamento de esportes.



A lacuna entre os programas maiores e menores no FCS também é grande. James Madison investe mais dinheiro (US $10 milhões) por ano em seu programa, que representa mais de 25% das universidades FBS. Enquanto 35 programas FCS investem menos de US $ 3 milhões por ano.



Division II - Football


O futebol americano Divisão II é composto por programas esportivos menores (principalmente escolas públicas regionais) que ainda oferecem algumas bolsas. A Divisão hospeda 169 equipes que disputam 11 jogos da temporada regular e uma chave de playoff de 28 times. A maioria das equipes tem uma capacidade de estádio de 5.000 a 15.000 lugares e seu jogos são vistos, primariamente, através de plataformas de streaming.


(Valdosta State Blazers/Reprodução Valdosta State Athletic Communications)

Os times de futebol americano da Divisão 2 são seletivos quanto aos jogadores recrutados, com apenas 1 em cada 20 atletas do ensino médio chegando ao D2. Cada atleta também deve atender aos requisitos acadêmicos definidos pela divisão (que são inferiores a D1). As equipes recrutam principalmente regionalmente e oferecem até 36 bolsas integrais. Embora haja um limite de 36 bolsas integrais, cada uma delas pode ser dividida da maneira que a universidade desejar. Por exemplo, uma escola pode dar 36 bolsas integrais ou 72 meias bolsas. Eles também podem dar 30 bolsas integrais e 10 bolsas pela metade e bolsas de 4 trimestres, etc. Além disso, muitas universidades e conferências oferecem menos do que as 36 bolsas integrais.


As equipes desta divisão têm um plantel típico de 100 a 140 jogadores e um staff, quando comparada a D1, composta por uma mistura de treinadores em tempo integral e parcial. As equipes de futebol americano da D2 compartilham instalações e equipes de apoio com o resto do departamento atlético.


A diferença entre os programas maiores e menores é muito menor no nível da Divisão 2. 70% dos programas investem entre US $ 1 milhão e US $ 2 milhões por ano. O programa que mais investe, o Northwest Missouri State, disponibiliza US $ 3,6 milhões por ano para o seu programa.



NAIA Football


O futebol americano da National Association of Intercollegiate Athletics (NAIA) consiste em universidades que não estão associadas à NCAA. Essas universidades são geralmente semelhantes ao NCAA D2. Embora existam universidades NAIA em 24 estados diferentes, 69 do total de 92 estão localizadas em 11 estados: Kansas (13), Iowa (9), Kentucky (7), Illinois (6), Missouri (6), Flórida (6), Montana (5), Nebraska (5), Dakota do Norte (4), Indiana (4) e Texas (4). NAIA tem seus próprios requisitos acadêmicos que devem ser atendidos antes que um atleta possa receber uma oferta.



Division III - Football


O futebol americano de Divisão III consiste nos menores programas de futebol da NCAA e não oferecem bolsas de estudos para atletas. Os programas em D3 são, em sua maioria, pequenas universidades particulares, com algumas universidades públicas pequenas competindo também. A divisão hospeda 249 times de futebol americano que disputam 10 jogos da temporada regular com um formato de chave de playoff de 32 times. A maioria das equipes tem capacidade de estádio entre 2.000 e 5.000 lugares e seus jogos são vistos, principalmente em plataformas de streaming.


(UW Whitewater Warhawks/Reprodução Anthony Wahl)

As equipes da Divisão III ainda são bastante seletivas, com apenas 1 em 13 jogadores do ensino médio entrando em uma equipe. Embora não sejam exigidas pela NCAA, as universidades da Divisão 3 têm alguns dos requisitos acadêmicos mais difíceis devido ao calibre acadêmico das escolas da divisão.


Essas universidades se concentram principalmente em recrutamentos regionais. Embora as universidades de 3ª Divisão não ofereçam bolsas de estudos para atletas, elas oferecem bolsas acadêmicas e iniciação científica. Em muitos casos, os pacotes combinados da bolsa acadêmica e da iniciação científica, superam as bolsas estudantis para atletas de Divisão II.


As equipes podem ter um elenco contendo mais de 150 jogadores, com uma grande porcentagem composta de atletas calouros, porque muitos jogadores D3 desistem durante ou após a temporada de calouros. Como as universidades de Divisão II, os programas D3 tendem a ter um staff menor com uma mistura de treinadores em tempo integral e parcial. As instalações e a equipe de apoio são compartilhadas por todo o departamento de esportes e às vezes com o corpo discente em geral.


Apenas duas universidades de Divisão III investem mais de US $ 1 milhão por ano (Mary-Hardin Baylor e a Universidade de St. Thomas), e a maioria das universidades da Divisão III apresentam um bom nível de jogo, mesmo com mais de 80% tendo um investimento anual que varia entre US $ 300K e US $ 700K por ano.



Junior College e Postgraduation Schools


Junior Colleges (JC) e Postgraduate Schools (PG) podem ser uma opção viável para atletas que acreditam que estão sendo sub-recrutados ou atletas que não têm a média de notas que atende aos requisitos mínimos estabelecidos por cada uma das divisões da NCAA. Essas duas opções permitem que os atletas mostrem seus talentos enquanto melhoram suas habilidades, notas e preparação geral para a faculdade.



Se você é um bom atleta, mas suas notas não são boas o suficiente, estas são boas opções para se qualificar e ser recrutado. Os programas pós-graduação farão apenas uma pequena mudança em seu índice acadêmico, então as escolas PG são melhores se você estiver muito próximo de cumprir os requisitos mínimos ou se puder melhorar significativamente suas pontuações nos testes. Os Junior College são diferentes, depois de 2 anos e ganhando um diploma, suas notas no ensino médio e notas em testes não importarão para a maioria das universidades. Essa pode ser uma boa opção para atletas que não estão perto das notas necessárias para se qualificar.


(Laney College Eagles/Reprodução Netflix)

É realista e interessante para um atleta médio, aumentar em uma divisão em relação ao que eles pretendem, mas não é uma garantia. Na maioria dos casos, é melhor não deixar passar bolsas de estudo existentes para participar de um programa PG ou JC com a esperança de que suas opções irão melhorar, porque elas podem permanecer as mesmas ou piorar.


Além disso, as opções de JC e PG podem ser especialmente boas para jogadores que se lesionam antes ou durante o último ano de elegibilidade do ensino médio. Existem 133 Junior Colleges e 84 Postgraduate Schools e suas bolsas são geralmente baseadas em necessidades financeiras.


E apesar de todas as informações, esta é apenas a ponta do iceberg no que se refere ao College Football. Os números ajudam-nos a entender o quão seletiva são as melhores equipes do College Football.



Uma coisa é fato: os jogadores querem estar aonde as coisas acontecem. Eles querem estar nas equipes que disputam por títulos. Dito isto, as universidades não poupam esforços e investimentos financeiros para atrair cada vez mais os atletas de destaque do Ensino Médio. Buscando a nível regional e nacional, as universidades, muitas vezes recorrem aos Pipeline States - estados que formam em grande quantidade atletas de proficiência elevada, como: Califórnia, Ohio, Flórida e Texas.


Dados referentes ao limite de recrutamento anual em Divisão III não foram informados pela NCAA.

No entanto, nem todos atletas se enquadram nas especificações estabelecidas pela NCAA ou até mesmo no nível técnico exigido para cada divisão, tornando as universidades cada vez mais seletivas em relação àqueles jogadores que os colocará em vitrines maiores, como por exemplo um jogo de Pós-Temporada e disputa de títulos.



Somente 6% de todos jogadores de High School farão parte da elite do College. Outros 15% permanecerão na Divisão I, porém, em programas de menor destaque. Outros 31% disputarão por bolsas integrais de Divisão II, enquanto a grande maioria, 48%, estará na Divisão III sem uma bolsa estudantil para atletas. E somente 1% de todos os jogadores que disputam o College Football chegam à NFL.


Lembrando que temporada do College Football está só começando, te convido a experimentar a magia do College Football e toda a emoção que a modalidade é capaz de proporcionar. Por hoje é só (tudo isso).