• Igor Castro

A grama sintética pode ser a grande vilã das lesões na NFL

As lesões na NFL é algo tão comum que toda temporada temos perdas de jogadores importantes. Porém, nessa temporada a semana 2 foi marcada por perda de um número alto de lesões de jogadores, muito dos quais perderão o restante da temporada e outros ficarão de molho por várias semanas.


As lesões mais comuns são nos pés, joelhos e tornozelos, desde simples torções, até a ruptura de ligamentos e rompimento de tendões de Aquiles. Contudo, após esse número exacerbado de lesões, houve muitos questionamentos e debates em torno do tema, gerando várias possibilidades sobre o porque tantos jogadores tiveram lesões em sua maioria graves.


Muito se falou sobre o curto tempo de preparação para a atual temporada, já que não houve uma offeseason com treinamentos adequados e com transição de treinos leves para treinos mais fortes. Com o auge da pandemia do Covid-19, houve uma pré temporada em que tivemos somente o tranning camp, os famosos treinos com forte contato físico e muito trabalho no condicionamento físico dos atletas. O tempo curto na preparação pode ser um fator a ser considerado, mas não é o único.

O running back Saquon Barkley se lesionou sozinho contra o Chicago Bears e está fora da temporada com lesão no joelho. Foto: ESPN/Getty Imagens

Além desse fator, outro que se destacou muito foi a intensidade em que os atletas são expostos no condicionamento físico. Em muitos momentos há um trabalho muito forte, com exigência altíssima para os jogadores, porém, na maioria das vezes eles não tem o tempo necessário para o descanso, já que trabalhar a musculatura exige demais e o prazo de recuperação tende a ser maior e nem sempre isso é respeitado. E isso é outra possibilidade de acarretar em velhas e novas lesões.


Mas ao longo da semana que se passou, outro elemento foi levantado para o alto número de lesões na NFL, é a tal da grama sintética. Em artigo publicado na Associação dos Jogadores da NFL, a NFLPA, por meio do seu presidente, JC Tretter, center do Cleveland Browns, o atleta ressalta em seu texto que o futebol americano por ser um esporte de muito contato físico e com muita força imposta pelo jogador, seja nos pés, joelhos e tornozelos podem gerar lesões graves como vemos na NFL se esses atletas estiverem praticando futebol americano em gramados artificiais.


Em seu levantamento, Tretter coloca como base os anos de 2012 a 2018 os números de lesões ocorridas nesse período. De acordo com ele, os jogadores que treinam em gramado artificial tem chance de se lesionar em 28% sem ter contato algum. E dos tipos de lesão, sendo as mais comuns em joelho, tornozelo e pés, Tretter relata que há uma taxa de 32% de chances de um jogador ter uma lesão grave no joelho e de 69% nos pés e tornozelos quando a pratica de futebol americano é feito em gramado sintético.

Nick Bosa também se lesionou no joelho contra o Giants e é outro dentre muitos fora da atual temporada da NFL. Foto: Reprodução Twitter/Around The NFL

E com base nesses números, Tretter diz em seu artigo que é necessário um trabalho em conjunto entre NFL, NFLPA e fabricantes dos gramados e produtos de futebol americano a providência de equipamentos esportivos que vissem uma maior proteção aos atletas, bem como a adequação de gramados com uma tecnologia mais adequada que evitem propiciar novas lesões graves aos atletas da NFL. Tretter até relatou a possibilidade das franquias aderirem a mudança de gramado, deixando o sintético e investindo em gramado natural que é o mais adequado para o esporte segundo ele.


Por fim, Tretter fala que o clima não pode ser um empecilho para a mudança dos tipos de gramados. Para ele, franquias como Green Bay Packers, Pittsburgh Steelers e Cleveland Browns são bons exemplos de terem em seus estádios gramados naturais e nem por causa do frio, eles deixaram o gramado perder a qualidade adequada para a prática do futebol americano. Para ele, os donos das franquias deveriam pensar mais em seus atletas, a fim de evitar lesões sérias e assim todos podem sair ganhando com um elenco mais saudável e com jogadores talentosos mais tempo dentro dos campos.