A Família Ball

“Ele não conseguiria me parar no um contra um. É melhor ele acertar todos os arremessos, porque não vai passar por mim. Ele não é rápido o suficiente.” Essa fala foi direcionada a Michael Jordan. Para quem nunca ouviu tal discurso, imagina que possa ter sido dita por LeBron James, Kobe Bryant ou até Patrick Beverley, mas não é o caso. O pronunciamento foi feito por LaVar Ball durante sua ascensão no cenário esportivo americano. No começo, ninguém entendia quem ele era ou o que queria, mas, após o considerável sucesso de seus filhos no basquete, é possível analisarmos sua família e seus objetivos. Desde 2017, seu principal alvo era levar seus três herdeiros a NBA. E, em sua cabeça, a forma mais fácil e rápida de atingir seu propósito, era criar um ambiente midiático e polêmico combinado de muito marketing, empreendedorismo e petulância

Com um pai falastrão e superconfiante, era de se esperar comportamento similar dos filhos, mas isso não parece ser a realidade. Seus filhos têm personalidades bem diferentes de LaVar, deixando a publicidade vir por conta das atitudes fraternas. O mais velho, Lonzo, tem 22 anos; 1,98m e atua como armador em Nova Orleans. De tão quieto e calmo, já foi criticado por uma suposta falta de agressividade em seu jogo. LiAngelo Ball, o filho do meio, joga atualmente na liga de desenvolvimento da NBA (Oklahoma City Blue) e já foi considerado pelo pai como o melhor pontuador da família, chegando a falar que um dia LiAngelo lideraria a NBA em pontos. O caçula e, talvez o mais promissor, é LaMelo Ball, que, apesar de sua promessa de jogar em UCLA no nível universitário, mudou-se para a Lituânia e Austrália com o intuito de jogar em um plano profissional o mais cedo possível. Apesar de serem mais serenos que seu genitor, não conseguem escapar de polêmicas, como os furtos feitos por LiAngelo em uma loja da Louis Vitton, a atenção dada a criação de música em meio a sua má fase esportiva, por Lonzo e a recusa de participação em faculdades americanas por LaMelo.


Recentemente, a família Ball teve menos casos controversos. É seguro dizer que boa parte daquilo que o LaVar tracejou para seus meninos foi alcançado. Hoje ele é o CEO da Big Baller Brand® (BBB), onde seus filhos têm suas linhas de tênis exclusivas e grande influência nas decisões administrativas. Também faz parte do reality show que mostra a vida da família (Ball In The Family) e é o criador da Junior Basketball League (JBL), uma alternativa de carreira para prospectos do basquete, ao invés da polêmica NCAA e suas políticas de não-pagamento à atletas universitários. Apesar da relação entre Lonzo e seu pai ter deteriorado no final de 2019, menos manchetes foram escritas envolvendo o nome da família. A dúvida que fica é se eles realmente “relaxaram” um pouco de tanta atenção ou se o ano de 2020 tem sido tão conturbado que não sobra espaço notícias não relacionadas a falecimentos e pandemias.

Em meio a altercações, entrevistas, discussões e empreitadas, fama e dinheiro foram alcançados. Odiado, questionado e admirado (ainda que por poucos), mas nunca desconsiderado: Esse é Lavar Ball e sua família. Muitos argumentam (Seu locutor incluso) que suas maneiras são extremas e desnecessárias, mas, gostando ou não, a família Ball gera matérias jornalísticas, “clicks” e atenção. Talvez Lonzo já tivesse virado o All-Star que os Lakers e Pelicans sonhavam se seu pai falasse menos. Talvez LiAngelo estivesse na NBA se LaVar não colocasse tamanha pressão. Talvez LaMelo fosse o jogador número um do draft se LaVar o levasse para alguma faculdade de nome ou algum time europeu. Mas não é de “talvez” que essa família vive. Sempre com certeza de seu sucesso, custe o que custar.

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